sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

O Show de Truman

É o show de nossa vida mesmo. Quem, em algum momento da vida, nunca se questionou se estava sendo controlado(a)? vivendo uma vida planejada? Ou melhor, quem nunca se sentiu num grande palco a interpretar um papel, a viver uma quimera e a sentir que todos a sua volta estão apenas atuando, que não passam de atores e atrizes; O filme (1998) dirigido por Peter Weir e estrelado por Jim Carrey, mostra a partir da ficção, a vida real de cada um de nós. Somos um Truman Burbank na vida. Parece que sempre que tentamos avançar, algo nos puxa e nos impede de prosseguir. A personagem, desde pequena, teve sua vida controlada e até filmada. Quem nunca chegou a pensar em estar sendo filmado(a)? Demorou muito tempo para Truman notar que a vida que levava naquela ilha não passava de uma mentira. Quanto tempo levamos para notar uma mentira? E se nós mesmos formos uma mentira, quanto tempo vamos levar para perceber? O filme é dos anos 90, eu nem existia nessa época... Mas ele continua a nos tocar, independente da geração. Toda vez que Truman tentava trilhar seu caminho, ser o que realmente queria, alguma coisa o impedia. Quantas vezes fazemos planos, tentamos fazer a nossa vida dar certo, mas algo acontece e muda nossos planos, frustra nossas perspectivas? Quantas vezes os nossos sonhos não foram deixados de lado por uma necessidade que apareceu de repente na nossa vida? Toda vez que Truman tentava avançar, algo o impedia, ou melhor, alguém. Parece que em nossas vidas há um Cristof tentando de tudo para brincar com o nosso destino. Parece que somos apenas bonecos(as) nas mãos de um Cristof que só quer audiência, fama e dinheiro. Parece que nossos passos são limitados e independente de nós mesmos nos limitarmos ou não, há alguma coisa que nos limita. Truman levou muito tempo para despertar da caverna, para notar que estava vivendo uma farsa. Mas quando despertou, não poupou esforços para sair da caverna, para sair do show, para sair da comodidade. Parece sem cabimento, mas para algumas pessoas, não faz diferença viver dentro duma prisão. Isso, porque, é confortável. Passamos tanto tempo dentro de uma cela que a gente até se acostuma, se acomoda e sente segurança. Falar em liberdade assusta. Falar em sair da caverna em que cada um vive, assusta, porque já estamos tão acostumados que liberdade nos trará incertezas, insegurança. Sair do show, abrir as portas da percepção (Huxley), sair da caverna não nos interessa. "O que tem lá fora?", a gente se pergunta. Truman era destemido, mas o fizeram ter medo, temer. Parece que há um Cristof, na espreita, pronto para nos apresentar o medo. O grande detalhe que muda tudo na vida é enfrentar nossos medos. Nós não nascemos assim, não éramos tão covardes assim... O medo nos foi apresentado, ensinado, dito. Truman enfrentou seu medo. Ele saiu da zona de conforto e foi buscar um sentido. Ele estava até disposto a morrer para ter sua liberdade, para sair do show, para deixar de ser apenas uma atração... Viver é correr riscos. Você está fazendo o quê quanto a isso?

Por Ruan Vieira

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Um Rei e Sua Busca por Felicidade

Marcos Felipe II se tornou rei quando seu pai lhe passou o trono. Seu pai, Marcos Felipe I, desistiu de ser rei por não aguentar mais a vida que levava governando o seu Reino. Com o tempo, foi-se espalhando boatos de uma suposta maldição de que aqueles que assumiam o trono, ganhavam muito poder, porém se tornavam infelizes. Esse boato chegou aos ouvidos de Marcos Felipe II, que teve uma ideia para combater a suposta maldição. Ele consultou os chamados senhores autoajuda, charlatões da época, que vendiam mentiras em troca de moedas. Marcos Felipe II foi em busca de uma fórmula para a felicidade. Ele tinha em mente que se soubesse como alcançar a felicidade, poderia ter todo o poder e jamais se tornaria infeliz. Ele foi até a casa do especialista divino, este tinha todo o conhecimento do mundo e garantia que seus ensinamentos eram eficazes e aqueles que o ouviam e seguiam seus ensinamentos, não tinham maus resultados. Ele dizia ter ligações divinas com os deuses e estes lhes davam o dom de ajudar as pessoas a alcançarem aquilo que desejavam. Marcos Felipe II ficou empolgado com toda aquela falácia e perguntou ao especialista: – Diga-me, mestre, como posso alcançar a felicidade?
O especialista o olhou, levantou suas mãos ao céu e disse: – Meu filho, ao acordar, você irá dizer consigo mesmo "Eu sou feliz", faça isso três vezes sempre que acordar de manhã. Tem que ter fé! Diga isso e serás feliz.
Marcos Felipe II agradeceu ao especialista e lhe pagou com um saquinho de moedas. No outro dia, ao acordar, o rei lembrou do ensinamento do especialista e disse consigo mesmo, três vezes, "Eu sou feliz". Ele levantou, tomou seu café da manhã e foi para a sua sala. Ordenou que lhe trouxessem o especialista. Seus súditos foram e o trouxeram. O rei estava com uma aparência abatida e estava impaciente. – Diga-me, senhor especialista. Eu fiz o que me disse, mas ainda me sinto infeliz. Não mudou nada. O que tem a me dizer? – perguntou o rei.
– Meu Rei, o senhor deve ter duvidado e não pode duvidar, senão não acontece. – disse-lhe o especialista, um pouco nervoso.
– Está me dizendo que não falei com fé? Eu me questiono por que depositei minha fé no senhor. Súditos deem um fim neste homem. – bradou Marcos Felipe II.
– Não, senhor! Por favor, eu conheço alguém que pode te ajudar a alcançar a felicidade. Mas só te direi quem se o senhor me deixar viver. – disse o especialista, suplicando.
O rei ficou esperançoso e perguntou: – Onde posso encontrá-lo?
– Eu te levarei até ele. – disse o homem.
O rei atendeu a súplica do especialista divino e foi com ele até a casa de um homem, conhecido como "O Bruxo", este se dizia o entendedor do sobrenatural. Dizia que a felicidade era algo fácil de se alcançar e ensinou ao rei uma magia para ser feliz, a magia da felicidade. O rei ficou feliz e pagou com um saquinho de moedas, o bruxo lhe disse que a magia só funcionaria se o rei levasse um amuleto e o segurasse com força.
– Eu tenho este amuleto aqui, posso vendê-lo para vossa majestade. – disse o bruxo.
O rei não pensou e comprou o amuleto. Deu mais um saquinho de moedas ao bruxo. Ao chegar a seu castelo, a primeira coisa que fez foi fazer a magia da felicidade. Ele acendeu algumas velas, ajoelhou-se, pensou em felicidade e segurou o amuleto com força. A magia deveria ser feita antes de dormir. Após ter feito a magia, Marcos Felipe II foi para a sua cama e dormiu. Ao acordar… ainda estava infeliz e havia perdido as esperanças. – Malditos enganadores! – exclamava.
Enquanto Marcos Felipe II havia se tornado infeliz. Seu pai, após ter deixado o trono, havia se tornado um homem mais simples, havia comprado uma casa no campo e estava mais feliz, ele cuidava de alguns animais, saía para passear sem compromisso, não era obrigado a fazer algo, ele fazia se assim quisesse. A vida estava mais leve fora do castelo. Porém, a vida do seu filho estava cada vez mais pesada e insuportável. Ele tinha todo aquele castelo, podia exercer seu poder por todo o reino, mas não sabia o que fazer com todo aquele poder, ele só queria ser feliz e pensava que com todo o seu poder, poderia comprar a felicidade ou achar um caminho para tal. Ele havia tentado duas vezes, de duas maneiras diferentes, mas não conseguiu a felicidade. Furioso, o rei ordenou que seus súditos lhe trouxessem o especialista e o bruxo. Os súditos foram e lhe trouxeram os dois. Marcos Felipe II disse que não estava feliz, tinha muito dinheiro, muito poder, mas não tinha felicidade. Ele procurou maneiras de comprar a felicidade ou conseguir ser feliz, mas não conseguiu. Ordenou que seus súditos dessem um fim naqueles dois para que eles não enganassem mais ninguém com falsas esperanças. O bruxo entrou em pânico, suplicou ao rei e disse: – Eu conheço alguém que vai te levar até a felicidade, vossa majestade! Por favor, não me mate!
O rei não estava mais disposto a dar créditos aos falsos mestres da autoajuda e ordenou que seus súditos os matassem. Após algumas semanas de infelicidade. O rei recebeu um convite para ir à igreja. Ele levou um tempo pensando se iria ou não, mas decidiu ir. Ao chegar lá, o bispo percebeu sua tristeza e lhe disse: – Vossa majestade, sei o que estás passando. Deus tem a solução para o seu problema.
– Qual, bispo? – perguntou Marcos Felipe II, curiosamente.
– Doe uma parte de suas riquezas para a igreja e irás encontrar o que procuras. – disse o bispo.
Marcos Felipe II doou uma parte de suas riquezas para a igreja na esperança de que se tornaria feliz. Porém, o seu poder financeiro diminuiu e ele não havia encontrado a felicidade. Seu pai, Marcos Felipe I, aconselhou seu filho a deixar o trono e ir viver sua vida no campo, cuidar dos animais e levar uma vida simples. Porém, Marcos Felipe II, não deu ouvidos. Ele não queria deixar o trono. Boatos, então, correram ao redor do castelo, "o rei está à procura da felicidade". Certa vez, um vendedor ambulante bateu na porta do castelo e disse que tinha algo para o rei. Ele estava vendendo um pó branco em um saquinho de plástico. Disse a Marcos Felipe II que se ele cheirasse, iria se sentir feliz. O rei pegou o saquinho, abriu, pôs um de seus dedos no pó e levou até o nariz. Ao cheirar, sentiu uma sensação estranha e instantaneamente se sentiu feliz. Ele não perguntou o que era, apenas queria mais. O vendedor ambulante disse que podia arrumar mais, mas o rei teria que pagar.  – Dinheiro não é problema! – exclamou Marcos Felipe II.
A partir desse dia, o rei passou a cheirar o pó misterioso para ficar feliz. Ele realmente ficava feliz, porém, o efeito do pó era temporário e ele precisava sempre estar cheirando para poder se sentir assim. Ao contrário do pai, que estava vivendo no campo, levando uma vida tranquila e saudável, Marcos Felipe II, havia gastado toda a sua riqueza em busca da felicidade. Ele perdeu tudo e ficou doente, o pó causava efeitos colaterais e prejudiciais à saúde. Ele morreu alguns dias após ter sido internado. Seu pai, sentiu muito por ter perdido o filho tão jovem e alguns dias após a morte de seu filho, Marcos Felipe I, destruiu todo o castelo e doou pedaços de terra para os camponeses. 

Autor: Ruan Vieira

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Brasil



Bem-vindo a terra da corrupção

onde o cidadão se vende e é comprado

Ninguém respeita a constituição

e o que se está escrito não é praticado


Bem-vindo a um país sem Presidente

pois o presidente é só de decoração

Se um só prejudica muita gente

Imagina mais de um. Adeus essa Nação!


Esse país não tem povo, tem público

muitos só assistem, outros batem na palma da mão

Alguns até acreditam numa melhora no futuro

a maioria está em casa vendo televisão


Esse país não é respeitado

um país sem povo não merece respeito

Falam tanto de mudança e compromisso

mas sempre continuam do mesmo jeito


A educação é subestimada

ninguém quer ouvir nem quer saber

A ignorância, por outro lado, é bajulada

tem até gente com diploma no assunto 

querendo se eleger


A pobreza aqui é compartilhada

de mesa em mesa, de mão em mão

Aqui, sua vida é predestinada

quem nasce pobre, morre pobre

quem nasce barão, morre barão

 

Esse país não merece idolatria

pois está cheio de gente tão vil

O alicerce do país é a hipocrisia

do povo ao governo

Esse é o Brasil.


Ruan Vieira

 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Hipocrisia: ela está em toda parte

"Estamos criando rótulos

Cada vez mais

segregando a so ci e da de

Com discurso mentiroso

de igual dade."

Ruan Vieira

O discurso é sempre o mesmo, com seu viés ideológico. Quase sempre estamos diante da hipocrisia e de um moralista. Eles quase sempre andam juntos, moral e hipocrisia, parecem inseparáveis... Chegamos a um cenário, ou pelo menos passamos a vê-lo agora, em que dividir é bem melhor que somar. Escolha o seu lado, meus amigos. Não é preciso levantar muros, eles já foram levantados faz tempo. A sociedade está cada vez mais separada e não se tem uma sociedade apenas, parece que temos pequenas sociedades dentro da sociedade que engloba a todos os indivíduos. Cada uma com suas regras, com sua moral, com suas leis. Estamos tão na contramão, que é comum se escolher quem morre e quem vive e, acredite se quiser, existem pessoas que devem morrer e outras que merecem viver, pelo menos esse é o pensamento na cabeça de certos grupos. Enquanto todos tentam se matar, impor sua ideologia, eu me questiono sobre o valor da humanidade na cabeça dos próprios humanos. Ou ninguém merece morrer ou todos merecem. Não tem cabimento se autointitular juiz. "Escolha seu grupo!" Hoje em dia é assim... E os bons e justos estão corrompendo a sociedade com seu discurso de justiça e bondade. Atraindo seguidores, ganhando espaço, enganando os bestas que se dizem revolucionários, querem mudar o mundo, mas querem fazer isso sem mudar a si mesmos, sem mudar sua própria conduta, querem apenas tirar um modo de pensar de outrem para pôr seu próprio modo de pensar. Trocando seis por meia dúzia. O homem e seu ideal soberbo, seu delírio de grandeza. O discurso que mais se vende hoje é o de igualdade, mas a lei natural nos mostra e nos diz: "Não somos iguais". Cada cabeça é um mundo. Os revolucionários de hoje, muitos adolescentes mimados, não podem esperar que o mundo caiba em sua caixinha. Virou moda ditar regras, rotular o que é certo e errado, apontar quem é do bem e quem é do mal. O mais cínico é que os mesmos que condenam a desigualdade, são os que a praticam. Os mesmos que falam de amor ao próximo, são os que odeiam. Os mesmos que falam de justiça, são injustos para com os outros. Os mesmos que falam de igualdade, são os que separam uns aos outros. Os mesmos que defendem a liberdade de expressão, são os mesmos que condenam quem não pensa conforme o padrão de pensamento estabelecido. Estamos diante de hipócritas quase todo santo dia. Eles estão em toda parte, nas ruas, na sua casa, na política, na religião, levantando bandeiras, de terno e gravata, com camisas estampadas e até sem roupas. São os bons, são os justos, são os moralistas e, de uns tempos pra cá, meus amigos, os moralistas não passam de canalhas.

Por Ruan Vieira

El hilo rojo del destino (O fio vermelho do destino)

Hay una leyenda oriental que cuenta que las personas destinadas a conocerse tienen un hilo rojo atado en sus dedos que les une el uno al otr...