É o show de nossa vida mesmo. Quem, em algum momento da vida, nunca se questionou se estava sendo controlado(a)? vivendo uma vida planejada? Ou melhor, quem nunca se sentiu num grande palco a interpretar um papel, a viver uma quimera e a sentir que todos a sua volta estão apenas atuando, que não passam de atores e atrizes; O filme (1998) dirigido por Peter Weir e estrelado por Jim Carrey, mostra a partir da ficção, a vida real de cada um de nós. Somos um Truman Burbank na vida. Parece que sempre que tentamos avançar, algo nos puxa e nos impede de prosseguir. A personagem, desde pequena, teve sua vida controlada e até filmada. Quem nunca chegou a pensar em estar sendo filmado(a)? Demorou muito tempo para Truman notar que a vida que levava naquela ilha não passava de uma mentira. Quanto tempo levamos para notar uma mentira? E se nós mesmos formos uma mentira, quanto tempo vamos levar para perceber? O filme é dos anos 90, eu nem existia nessa época... Mas ele continua a nos tocar, independente da geração. Toda vez que Truman tentava trilhar seu caminho, ser o que realmente queria, alguma coisa o impedia. Quantas vezes fazemos planos, tentamos fazer a nossa vida dar certo, mas algo acontece e muda nossos planos, frustra nossas perspectivas? Quantas vezes os nossos sonhos não foram deixados de lado por uma necessidade que apareceu de repente na nossa vida? Toda vez que Truman tentava avançar, algo o impedia, ou melhor, alguém. Parece que em nossas vidas há um Cristof tentando de tudo para brincar com o nosso destino. Parece que somos apenas bonecos(as) nas mãos de um Cristof que só quer audiência, fama e dinheiro. Parece que nossos passos são limitados e independente de nós mesmos nos limitarmos ou não, há alguma coisa que nos limita. Truman levou muito tempo para despertar da caverna, para notar que estava vivendo uma farsa. Mas quando despertou, não poupou esforços para sair da caverna, para sair do show, para sair da comodidade. Parece sem cabimento, mas para algumas pessoas, não faz diferença viver dentro duma prisão. Isso, porque, é confortável. Passamos tanto tempo dentro de uma cela que a gente até se acostuma, se acomoda e sente segurança. Falar em liberdade assusta. Falar em sair da caverna em que cada um vive, assusta, porque já estamos tão acostumados que liberdade nos trará incertezas, insegurança. Sair do show, abrir as portas da percepção (Huxley), sair da caverna não nos interessa. "O que tem lá fora?", a gente se pergunta. Truman era destemido, mas o fizeram ter medo, temer. Parece que há um Cristof, na espreita, pronto para nos apresentar o medo. O grande detalhe que muda tudo na vida é enfrentar nossos medos. Nós não nascemos assim, não éramos tão covardes assim... O medo nos foi apresentado, ensinado, dito. Truman enfrentou seu medo. Ele saiu da zona de conforto e foi buscar um sentido. Ele estava até disposto a morrer para ter sua liberdade, para sair do show, para deixar de ser apenas uma atração... Viver é correr riscos. Você está fazendo o quê quanto a isso?
Por Ruan Vieira
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