sábado, 16 de julho de 2022

O direito ao riso


Em pleno caos em que vivemos no dia a dia, diante de tanta desgraça, desgaste físico, mental, emocional, diante de tanto estresse e momentos de tristeza querem nos tirar o direito ao riso. Mas eu tenho direito a rir, todos nós temos. Infeliz o homem que viveu e não riu. A piada é um gênero que, acima de tudo, visa o humor, a alegria, o riso. Não tem cabimento ir a um show de humor para fazer julgamentos ou análises pessoais, você vai a um show de humor para rir. Isto é o mais coerente. Àquele ou àquela que não gosta de certos tipos de piada, de certo tipo de humor, não precisa ir ao show. É simples! 

Se não curte tais piadas, se não curte tal humor, por que esta tendência doentia de acompanhar seja lá quem seja que trabalha com tais conteúdos? Qual é a lógica nisso? Mas sem lógica ainda é querer proibir o riso de pessoas que curtem tal humor. Ora, não é por que você não gosta que os outros também tenham que deixar de gostar. Muitas coisas nessa vida não funciona como a gente quer, o mundo não gira em torno dos que escolhem quem pode ou não pode rir, o que é piada ou o que não é, se é humor ou se não é. Eu tenho direito a curtir tal tipo de humor, tal tipo de piada, eu tenho direito a rir. Um show de humor tem um determinado lugar para acontecer, assim como um show musical. Se não gosta de tal banda, não vá ao show. Se eu gosto de tal banda, eu tenho direito de ouvi-la. Isso faz parte do gosto e preferência de cada um. 

Cada um tem seus gostos, suas preferências, às vezes se assemelham, muitas vezes se diferenciam. Mas eu tenho direito de ouvir tal banda, assim como tenho direito de ir a um show de humor específico que esteja dentro de meu gosto. Ora, você tem seu gosto, por que não posso ter o meu? Ora, meu gosto se difere do seu, por que meu gosto não é válido e o seu é? O problema de certos grupos, de certas pessoas, é querer que o mundo gire em torno de seus caprichos. Hoje todo mundo quer ter liberdade, mas, no fundo, não é liberdade pra todo o mundo. Hoje todo mundo quer ter direito, mas não é direito pra todo o mundo. 

Em outras palavras, a liberdade é seletiva, o direito é exclusivo. Por que se você concorda, eu tenho que também concordar? Por que se você é contra, eu também tenho que ser contra? Ora, se temos direito a liberdade, sou livre para ter meu gosto musical e curtir tais piadas, tal humor, tais conteúdos. Ou será que meu riso é proibido? Ou será que teu riso é proibido? Não estamos mais na Idade Média, penso eu. Outrora, o riso era proibido. Rir era até pecado. É incrível como falam tanto de liberdade, hoje em dia, e querem estabelecer quem pode ser livre ou não. É incrível como falam tanto de direito e querem estabelecer quem pode ter direito ou não. É incrível como querem tanto ter voz, hoje em dia, e calar a voz do outro. Humor é humor, independente da sua interpretação como sujeito que interpreta. 

Não é por que você interpreta de uma forma que todo o resto do mundo tenha que interpretar da mesma forma. Isso não existe, não cabe na realidade. Talvez em seu mundo utópico, todo o mundo seja igual a você, mas aqui fora, fora da tua caixinha, as pessoas são diferentes, cada uma tem seus gostos. Se não curte tais piadas, se não curte tal humor, não vá a tal show de humor, não assista vídeos dos que fazem tal humor, não leia sobre quem faz tal humor, não se meta em tal humor. É bem simples. 

Por Ruan Vieira

sexta-feira, 15 de julho de 2022

A questão do ser: uma breve reflexão


No processo de construção da identidade, você não é somente você, assim puramente e somente um, você é mais de um e nunca é algo fora do contexto ou do espaço onde pisa ou por onde passa. Você é parte integrante, é um indivíduo que, assim como tantos outros, não é o que é por apenas ser, mas é por estar inserido em uma construção de ser alguma coisa. Somos nada e, ao mesmo tempo, somos alguma coisa. Mas não nos construímos sozinhos. Somos construídos. São pensamentos que vêm mais de fora, do que propriamente de dentro, são concepções, são princípios, são condutas, medos, atitudes, valores, desejos etc. Perceba que participamos de um eterno processo de aprendizagem, em que estamos sempre ou quase sempre aprendendo. Geralmente, aprendendo com a vida a partir ou através de outras pessoas; essas pessoas não chegaram a determinadas conclusões, a determinadas concepções, sozinhas. Teve todo um contexto, houve um contato com alguma coisa, inclusive, com outras pessoas. Então, muita coisa nos é ensinada, muita coisa é aprendida, interpretada, adaptada, desenvolvida. As nossas interpretações sofrem influências, a nossa visão de mundo nunca é totalmente a nossa visão. Aqui está o ponto. Não é "eu que penso assim", mas sim "eu penso assim porque cheguei até este pensamento a partir disso ou daquilo…". Você não é apenas você, em seu modo de ver o mundo, em seu jeito de falar, escrever, ler, seu andar, seu comer, seu pensar, até seu sentir; não é cem por cento seu. Não nos construímos, fomos construídos. Isso começa lá em nossa vinda ao mundo, inclusive. Não viemos ao mundo sozinhos. Fomos construídos. Durante a nossa existência, esse processo de construção continua. Ele se manifesta durante nossa vida. Está nas tendências políticas, na escolha de um time, na ideologia adotada, nas escolhas tomadas, nas palavras ditas, nos textos escritos, nas ações praticadas, no gosto por tal gênero musical, na escolha de determinada profissão. A moral é algo apresentado a você. Não nascemos com consciência para já nos dizermos morais. Você será se assim desejar. Mas o contexto é importante. Você nasce em determinado momento e aquele momento será decisivo na sua construção. Você nasce em determinado ambiente e aquele ambiente será decisivo na sua construção. Você vai conviver com determinadas pessoas que possuem determinadas visões, pensamentos, comportamentos e isso será decisivo na sua construção. Se você pensa que tudo que pensa ou faz é exclusivo seu, que você é "o tal" ou "a tal", não é bem por aí. Às vezes parece que nos deparamos com mais semelhanças do que diferenças. Isso porque, somos seres influenciáveis. Estamos a todo instante mudando junto com o mundo. Mas estamos quase sempre se influenciando e se deixando influenciar. É o externo influenciando o interno. As pessoas não mudam porque querem, talvez até se permitam a mudança, mas o fator crucial da mudança vem de fora. É por se deparar com determinadas situações, determinadas pessoas, determinadas leituras, que nos permitimos ser ou não ser. Mas, como já dito, você não é somente você. Você é parte integrante, você é um indivíduo, não é a sociedade. Você participa do processo, mas não é o processo. Você não é, está procurando ser. Nesta procura, não vai ser somente um, em você haverá mais. No processo de construção da identidade, você será como todos que, assim como você, fazem parte do processo. 


Por Ruan Vieira

domingo, 3 de julho de 2022

Literatura Já!


A partir deste mês de julho, os ouvintes vão escutar as leituras e as declamações nas vozes de Joyce Nascimento, Ruan Vieira e Liliane Mendonça.
O trio (formado pela carioca, pelo sergipano e pela mineira) vai trazer em suas leituras e interpretações o que há de melhor na literatura em seus variados estilos e sotaques.
Tanto os textos produzidos por eles, bem como os recebidos no último edital aberto, preencherão as manhãs de sábado com muita literatura! E para começar, o mês inteiro de dose dupla literária. 
Você não vai ficar de fora, não é mesmo?!
Para curtir toda a programação: siga o podcast Literatura já! no Spotify: https://open.spotify.com/show/7iQe21M7qH75CcERx5Qsf8 
Ah, caso ainda não os conheça, poderá saber um pouco mais sobre eles ao ouvir o episódio de apresentação produzido especialmente para você, clicando aqui: https://open.spotify.com/episode/2Ey7VLr0hV1VYr7MLPabkk
Te vejo no podcast Literatura já! Até lá!  

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El hilo rojo del destino (O fio vermelho do destino)

Hay una leyenda oriental que cuenta que las personas destinadas a conocerse tienen un hilo rojo atado en sus dedos que les une el uno al otr...