domingo, 23 de abril de 2023

Triângulo da Tristeza

Lançado em meados de 2022, o filme  "Triângulo da Tristeza" dirigido por Ruben Östlund, me chamou muito a atenção quanto a reunião de vários defeitos da natureza humana em um só evento. Estrelado por Harris Dickinson, Charlbi Dean, Dolly De Leon, Zlatko Buric, Woody Harrelson, entre outros, o longa nos traz uma reflexão não devido ao fato de estarmos diante de uma tela a assistir um mero filme, mas devido ao fato de estarmos perante a um espelho a nos vermos como exatamente somos e agimos. O filme está dividido em três partes: Carl e Yaya; O Cruzeiro e A Ilha. 

Na primeira parte, a história nos apresenta um casal de modelos que jogam entre si um jogo ridículo de manipulação, ciúmes, cinismo e orgulho. Isso parece familiar, não? É um casal moderno que não tem preparo nenhum para encarar um relacionamento. Os conflitos são muito adolescentes e só escancaram o quanto nenhum dos dois cresceu. Ao longo da trama, nos deparamos com algumas questões sociais, como, logo no início do filme, a cena que se passa no restaurante. Vemos um conflito surgir por falta de comunicação, envolvendo cinismo e indiferença com participação especial do dinheiro entre um homem e uma mulher (posições sociais) a discutir sobre quem paga a conta. Enquanto Yaya vive a sustentar uma vida de aparências nas redes, Carl serve apenas como uma peça bonita para manter uma mentira. 

Na segunda parte, nos deparamos com um cenário que envolve os passageiros e os tripulantes. O longa expõe ao ridículo uma classe muito centrada em si mesma e em seus caprichos, mostrando que por mais joias que tenham, por mais dinheiro que possuam, por mais roupas caras que vistam, por mais perfumes caros que passem, não deixam de ser carne podre e de osso. Tanta etiqueta para nada! Estão sujeitos ao cômico e ao trágico da existência. Por mais dinheiro que tenham, não importa, têm coisas que o dinheiro não compra, como a felicidade, o amor, a confiança, a própria vida. Dentro do Cruzeiro nos deparamos com personagens que de longe aparentam serem felizes, mas que de perto são tristes e vazios: O homem que não tinha uma companhia e precisou que duas jovens fingissem estar com ele para sair na foto, o capitão que vivia trancafiado em seu quarto tentando evitar a chatice e a monotonia de ter que ir receber os convidados; uma das mulheres do velho capitalista, entre outros exemplos.

Na terceira e última parte nos deparamos com uma grande ironia... Numa briga recente entre a posição homem e a posição mulher no cenário da sociedade, o filme mostra de maneira direta apenas mais um no meio de tantos outros. Após um acontecimento em alto mar, alguns passageiros sobrevivem. Dentre eles, a chefe da tripulação, o velho russo capitalista, o casal de modelos e uma antiga serviçal. Eles vão parar numa ilha e, agora, terão que lidar com a sobrevivência, terão que trabalhar em grupo. Mas não foi tão simples assim... Olhamos no espelho através do filme e nos deparamos com o orgulho, com a mentira, com o conflito de interesses. A queda de braço entre homens e mulheres não acaba na igualdade. A tal da igualdade mascara o conflito de interesses, a busca pelo poder, o domínio. Quando a personagem Abigail assume a liderança e se intitula "capitã", ficamos diante de apenas mais um animal violento e traiçoeiro.


Por Ruan Vieira       


terça-feira, 18 de abril de 2023

 


Maria só queria flor

José só queria ser

Mas, Maria José, 

queria flor e ser.


José só queria amar

Maria só queria um elo

Mas, José Maria,

queria amar e elo. 


Paula diz não amar

Bebeto não diz se é

Mas, Paula Bebeto,

Diz amar é.


Eu lhe disse voo

Ela me disse ninho

E nós

Passarinho.


Ela me disse noite

Eu te disse tecer

E nós

Anoitecer.


Eu inverno 

Ela verão

E nós

Estação.


Enquanto eu pensava:

Quem me dera

ser poeta (...)

Ela só me confirmava

Que já era

Poesia.


Ruan Vieira 

domingo, 16 de abril de 2023

Poemas autorais no Youtube


Poema "Eu Quero Paz" de Ruan Vieira na voz de Julien Costa.



Poema "Morrer de Amor ou Morrer no Amor?" de Ruan Vieira na voz de Joyce Nascimento.



Poema "Nessas ida e vindas da Vida" de Ruan Vieira na voz de Joyce Nascimento.



Poema "Se você viesse amanhã" na voz do autor.



Poema "Minha infância querida" na voz do autor.



Poema "Passageiros na vida" na voz do autor.



Poema "Não me deixe acordar" na voz do autor.

sábado, 8 de abril de 2023

Infernal

Sou inexistente

Numa existência presente

Que não é eterna

É só indiferente


No meio de tanta gente

Que não presta

E só te enxerga

Negativamente


Somos criaturas estranhas

Animais que não se reconhecem

Exigimos demais do outro

O que a gente nem merece


Você é inteligente?

No meio de tanto lixo

De longe, apenas humano

Mais perto, apenas um bicho


É tão bonito sonhar com o paraíso,

Numa vida infernal

Enquanto os deuses dormem...

Você, sufocado, passa mal


Como ser verdade

Num mundo de mentira?

O tempo, este veneno no ar,

Te mata enquanto você respira


A morte te espera

Naquela próxima esquina...

Um dia uma criança ingênua

Não se dava conta dessa natureza assassina.


Ruan Vieira




Manequins

 


Ontem eu vi numa vitrine

Manequins à venda

Tão parecidos conosco a sorrir

Eram peças do mercado

Estampando um sorriso falso

Tão sem vida... manequins expostos a fingir


Eu não quero ser um manequim

Não quero ser uma farsa

Nem tampouco uma peça de mercado;

Eu quero ser como Jim

A procurar nesta vida uma graça

E morrer ciente de tê-la encontrado


Eu quero sentir o amor

Não quero só sentir dor

Eu não quero ser engano, um inútil

Eu não quero ser trocado


Não quero ser um manequim!

Veja-me por debaixo da máscara

Quebre este vidro, rasgue esta roupa

Eu não quero ser uma farsa...


E você?


Ruan Vieira 

El hilo rojo del destino (O fio vermelho do destino)

Hay una leyenda oriental que cuenta que las personas destinadas a conocerse tienen un hilo rojo atado en sus dedos que les une el uno al otr...