sexta-feira, 29 de abril de 2022
Desigualdade passada de geração em geração
domingo, 24 de abril de 2022
Dores existenciais
A dor é sua? A dor é minha? Só você sente? Só eu sinto? Afinal, o que nos leva a se colocar acima do outro, pondo nossa dor acima, como se fôssemos o único a sentir dor? O que te leva a crer que sua dor é especial? "Só sabe quem sente", "Não é você que está sentindo", "A dor é minha", essas e outras são frases corriqueiras, comuns a quase todos nós. Quando estamos enfrentando nossa(s) crise(s) existencial(ais), tudo tem que girar ao nosso redor. Isso não é frescura. É puro egoísmo. Quem nunca foi ou não é egoísta, que atire a primeira pedra. Principalmente quando sente-se ameaçado ou simplesmente frustrado. O mundo gira em torno de vós? Talvez, alguém num momento de dor existencial, sinta que quem está ao lado é uma máquina e não compreenda e que, inclusive, também não tenha seus maus momentos... Não é de se admirar. Não é. Estou falando de seres humanos. Somos apenas humanos. É de nossa natureza a autopreservação, a mentira, o egoísmo, essa tendência de pensar somente em si, sentir-se o centro do mundo. Mas posso dizer que só quem nasce feliz é que não sentirá tristeza. Todavia, quem é que nasce feliz nesta vida? Quem é que não sente tristeza? Felicidade é relativa. Penso eu que até seja, numa certa perspectiva, individual. Mas o sofrimento é coletivo. Como assim? Nem todo mundo é feliz, mas todo mundo é triste. Em outras palavras, todo mundo passa pelo sofrimento, todo mundo sofre. Mas perceba, isso acontece numa certa coletividade, o sofrimento não faz acepção de pessoas, não importa se você é o homem mais rico do mundo ou o mais pobre, você vai sentir dor, vai ficar triste, vai sofrer. Já a felicidade, desconfio, nem todo mundo a encontra, sente-a. Não existe fórmula para a felicidade, do contrário todo mundo seria feliz, inclusive o tempo todo, ou melhor, pro resto da vida, bastaria apenas ter a fórmula. Oras, todo mundo tem seus problemas, feridas abertas, feridas cicatrizadas, todos sentem dor. Você não é o(a) único(a), eu não sou o único. Afinal, não existe só você no mundo. "O problema é seu?", "Ninguém pode te ajudar?", então tudo bem. Mas o que te leva a encher a boca depois e dizer que ninguém te ajudou? Qual o prazer ou que sentido isso tem pra você? Será que ninguém te ajudou ou você não aceitou a ajuda? Sobre solidão... Renato Russo já dizia que "o mal do século é a solidão..." e quem te disse que se vive sozinho(a)? Neste mundo, ninguém vive sozinho. Nós não nascemos para isso, precisamos estar em contato, é inevitável. Você pode até se sentir sozinho e o questionamento é se a solidão que sente está no fato de o mundo não te notar ou você não se encaixar no mundo. Mas aqui outra pergunta surge, por que diabos o mundo teria que se encaixar a você? Por que sua solidão é tão especial assim? A gente não vive sozinho, a gente se sente sozinho, é diferente. Olha ao redor, vivemos rodeados de seres vivos; "ou mortos..." Que solidão é esta? Ela parte de você para o mundo ou vem do mundo para você? Em outras palavras, é uma questão que parte do interno para o externo ou vem de fora para dentro? Todo mundo se sente só algum dia. A dor não aponta os dedos para quem será o(a) próximo(a), o sofrimento vem, a tristeza vem, os maus momentos, as crises existenciais... O que te leva a pensar que a dor escolhe quem vai ferir mais ou menos? Não somos fortes. Isso é uma puta mentira. Essa história de buscar ser forte o tempo todo, querer ser forte, mostrar que é forte... não passa de uma mentira, de puro fingimento, não existe isso, estamos falando de seres humanos aqui, não de máquinas. Somos movidos pela emoção. Se nosso emocional não está bem, nada estará bem. Isso é matemática básica da vida. Não tem pra quê fingir ser forte. Por quê? Porque não altera a realidade de sermos fracos. Sem excessão.
Por Ruan Vieira
terça-feira, 19 de abril de 2022
Debaixo da chuva
Quando chovia, muitas crianças iam para a rua, todas com o mesmo propósito: brincar. Umas brincavam de correr, outras pulavam, jogavam gotas de chuva umas nas outras, a criançada se divertia! Mas logo a diversão acabava, quando seus pais as chamavam. - Já pra casa, fulano! – Venha aqui, menina! – Já pra casa, beltrano! – Ôh, menino! Quem mandou você sair? – gritavam os pais das crianças. O pequeno Carlinhos, era uma dessas crianças, que gostavam de ficar debaixo da chuva. Digo ao leitor que ser criança é muito bom e até hoje sinto falta da minha infância, creio que você também se sente assim. Carlinhos, assim como as outras crianças, corria em disparada para casa, quando seus pais o chamava. Alguns pais davam uma boa lição nos filhos com a palmatória, outros apenas davam um puxão de orelha. Os pais de Carlinhos eram destes, quando ele entrava em casa, seu pai lhe dava um belo puxão de orelha e para complementar a ação, sua mãe dizia: – Não é pra sair quando estiver chovendo. Queres ficar resfriado? Menino teimoso!
Carlinhos corria para o quarto. Mas o leitor deve imaginar o que ele fazia quando chovia novamente. Carlinhos tinha 10 anos e adorava correr, era um garoto magro, baixo e muito interativo. Gostava não só de correr, mas também de jogar bola, soltar pipa e brincar de bolinha de gude. Certa vez, ele estava jogando bolinha de gude com os amigos, Pedro e Bernardo, quando eles resolveram "brincar na vera" e agora aquele que ganhasse a partida, teria o direito de escolher uma bolinha de gude do amigo. – Ei! Vamos jogar apostado? – perguntou Bernardo.
– Quem ganhar, fica com uma das bolinhas de gude dos que perderem! – acrescentou Carlinhos.
Assim eles passaram a brincar. Com o tempo, a mãe de Carlinhos reparou que ele voltava da rua com mais bolinhas do que havia saído. – Oras... Que tantas bolinhas são essas, Carlinhos? – perguntou sua mãe.
Carlinhos ficara nervoso, havia sido questionado e estava despreparado para responder, resolveu inventar uma. – Foi que eu ganhei, mãe. – disse ele.
– Ganhou? De quem? – perguntou sua mãe.
Digo ao leitor que as mães quando se põem a questionar, questionam tão bem que deixam seus filhos, muitas das vezes, sem saída! Carlinhos não soube responder. Mais tarde, sua mãe descobriu tudo e Carlinhos levou uns puxões de orelha do pai. – Ora essa! É pra aprender boas maneiras, não é pra ficar apostando! Isto é feio! – gritava seu pai no pé dos ouvidos de seu filho.
Carlinhos, mais uma vez, corria para o quarto. Fim de semana chegando, era uma sexta-feira, quando um pé d'água caiu do céu. – Chuva! – gritavam as crianças, alegres. Portas se abriam e na rua se via a criançada brincando, sorrindo e se divertindo outra vez debaixo da chuva, inclusive o Carlinhos.
Autor: Ruan Vieira
quinta-feira, 14 de abril de 2022
Morrer de amor ou morrer no amor?
Morrer de amor
Ao se apaixonar
Ser amado
E também amar
Morrer de tanto amor
Morrer no amor
Ao se decepcionar
Ser enganado
E se enganar
Sofrer de tanta dor
Mas se quiseres
Podes escolher
Morrer de amor
Ao intensamente amar
Ou no amor morrer
E o amor matar
Não mates o amor,
Este não se pode perder
Não chore a dor
De um amor passado
Pois no passado
Esse amor já está
Dias novos vêm
Outros amores também
Nesta vida, há sempre alguém
Disposto a nos amar.
Ruan Vieira
(Poema autoral na voz de Joyce Nascimento do canal Literatura Já! - ano 2021)
domingo, 10 de abril de 2022
Retrato de um filme já passado
Há pouca água e muita sede
Há muita fome e pouca comida
Há tanta casa vazia e ruas tão cheias
Há muita estrada ainda pra ser percorrida
Há uma grande escada pra ser subida
Há uma montanha pra ser escalada
Há uma distância entre nossa vida
Há uma grande muralha pra ser derrubada
Há tanto Muro de Berlim nesta sociedade
Apenas um que fora derrubado
Mas há tantos outros por essas ruas, esquinas, cidades
Enquanto um cai, outro é levantado
A gente paga pra ver, paga pra viver, paga pra respirar
A gente paga pra morrer, paga por crescer
Estou ficando sem nada de tanto pagar
Por seus erros, por sua negligência
Por sua maldade, por sua conivência.
É tiro pra todo lado
Visando um só alvo
É muita gente unida pra te explorar
Religião e Estado já derrubou um bocado
Justiça de olhos fechados
Pra não se envolver, pra não te ver nem te ajudar
E tanto sangue já fora derramado
Tantos inocentes já foram sacrificados
Pra levantar impérios, tronos, reinados
Pra seus heróis, vilões disfarçados!
Que não chegaram sozinhos ao poder.
Pra poucos vencedores vencerem,
Tantos perdedores, nos bastidores
Foram esquecidos, apagados, omitidos
Tiveram que perder
Mas disso você não quer saber
O que te importa é defender seu partido
E idolatrar seu deus preferido
Você com certeza é um filho da pátria iludido
Onde está o seu nacionalismo
Onde foi parar a sua consideração
Essa sua imagem patriota é puro fanatismo
Um patriota de verdade não prejudica a sua própria nação.
Ruan Vieira
domingo, 3 de abril de 2022
O pintor triste
El hilo rojo del destino (O fio vermelho do destino)
Hay una leyenda oriental que cuenta que las personas destinadas a conocerse tienen un hilo rojo atado en sus dedos que les une el uno al otr...

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É o show de nossa vida mesmo. Quem, em algum momento da vida, nunca se questionou se estava sendo controlado(a)? vivendo uma vida planejada?...
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Dê flores aos vivos! Perder pessoas em vida, resulta em ressentimento e mágoa, porém perder pessoas para a morte, resulta em tristeza e arr...
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Disponível no Kindle ( https://amzn.to/3IQmejE ) A sátira "Sociedade dos Bichos" escrita em 2019 e publicada em formato digital em...