sexta-feira, 29 de abril de 2022

Desigualdade passada de geração em geração


Sem ordem, sem progresso
Vivendo num regresso
Andando pra trás
Nosso futuro é o retrocesso
A evolução desse país é um processo
Que demora demais
Os pobres de ontem ainda são pobres hoje
A pobreza faz parte do pacote
E está na primeira página do menu principal
Os analfabetos de ontem ainda são analfabetos hoje
É um plano político para que o povo continue leigo
Não há investimento no sistema educacional
E uma multidão de miseráveis vaga por aí
Sem ter o que vestir, sem ter o que comer,
Sem ter onde morar
Neste país não há políticos confiáveis
Eles te veem como objetos, apenas ferramentas
Você só tem valor se ficar onde está
Na calçada, no lixo, na lama, na sarjeta, no chão
O seu futuro é da rua pra prisão
Não tem vez pra você, você não tem chance
Desigualdade passada de geração em geração
Ricos ficando mais ricos, cada vez mais fortes
Contra pobres ficando mais pobres, cada vez mais fracos
São os herdeiros do poder e da riqueza
Lutando contra herdeiros da miséria, da fome, da pobreza.

Ruan Vieira

domingo, 24 de abril de 2022

Dores existenciais

A dor é sua? A dor é minha? Só você sente? Só eu sinto? Afinal, o que nos leva a se colocar acima do outro, pondo nossa dor acima, como se fôssemos o único a sentir dor? O que te leva a crer que sua dor é especial? "Só sabe quem sente", "Não é você que está sentindo", "A dor é minha", essas e outras são frases corriqueiras, comuns a quase todos nós. Quando estamos enfrentando nossa(s) crise(s) existencial(ais), tudo tem que girar ao nosso redor. Isso não é frescura. É puro egoísmo. Quem nunca foi ou não é egoísta, que atire a primeira pedra. Principalmente quando sente-se ameaçado ou simplesmente frustrado. O mundo gira em torno de vós? Talvez, alguém num momento de dor existencial, sinta que quem está ao lado é uma máquina e não compreenda e que, inclusive, também não tenha seus maus momentos... Não é de se admirar. Não é. Estou falando de seres humanos. Somos apenas humanos. É de nossa natureza a autopreservação, a mentira, o egoísmo, essa tendência de pensar somente em si, sentir-se o centro do mundo. Mas posso dizer que só quem nasce feliz é que não sentirá tristeza. Todavia, quem é que nasce feliz nesta vida? Quem é que não sente tristeza? Felicidade é relativa. Penso eu que até seja, numa certa perspectiva, individual. Mas o sofrimento é coletivo. Como assim? Nem todo mundo é feliz, mas todo mundo é triste. Em outras palavras, todo mundo passa pelo sofrimento, todo mundo sofre. Mas perceba, isso acontece numa certa coletividade, o sofrimento não faz acepção de pessoas, não importa se você é o homem mais rico do mundo ou o mais pobre, você vai sentir dor, vai ficar triste, vai sofrer. Já a felicidade, desconfio, nem todo mundo a encontra, sente-a. Não existe fórmula para a felicidade, do contrário todo mundo seria feliz, inclusive o tempo todo, ou melhor, pro resto da vida, bastaria apenas ter a fórmula. Oras, todo mundo tem seus problemas, feridas abertas, feridas cicatrizadas, todos sentem dor. Você não é o(a) único(a), eu não sou o único. Afinal, não existe só você no mundo. "O problema é seu?", "Ninguém pode te ajudar?", então tudo bem. Mas o que te leva a encher a boca depois e dizer que ninguém te ajudou? Qual o prazer ou que sentido isso tem pra você? Será que ninguém te ajudou ou você não aceitou a ajuda? Sobre solidão... Renato Russo já dizia que "o mal do século é a solidão..." e quem te disse que se vive sozinho(a)? Neste mundo, ninguém vive sozinho. Nós não nascemos para isso, precisamos estar em contato, é inevitável. Você pode até se sentir sozinho e o questionamento é se a solidão que sente está no fato de o mundo não te notar ou você não se encaixar no mundo. Mas aqui outra pergunta surge, por que diabos o mundo teria que se encaixar a você? Por que sua solidão é tão especial assim? A gente não vive sozinho, a gente se sente sozinho, é diferente. Olha ao redor, vivemos rodeados de seres vivos; "ou mortos..." Que solidão é esta? Ela parte de você para o mundo ou vem do mundo para você? Em outras palavras, é uma questão que parte do interno para o externo ou vem de fora para dentro? Todo mundo se sente só algum dia. A dor não aponta os dedos para quem será o(a) próximo(a), o sofrimento vem, a tristeza vem, os maus momentos, as crises existenciais... O que te leva a pensar que a dor escolhe quem vai ferir mais ou menos? Não somos fortes. Isso é uma puta mentira. Essa história de buscar ser forte o tempo todo, querer ser forte, mostrar que é forte... não passa de uma mentira, de puro fingimento, não existe isso, estamos falando de seres humanos aqui, não de máquinas. Somos movidos pela emoção. Se nosso emocional não está bem, nada estará bem. Isso é matemática básica da vida. Não tem pra quê fingir ser forte. Por quê? Porque não altera a realidade de sermos fracos. Sem excessão.

Por Ruan Vieira

terça-feira, 19 de abril de 2022

Debaixo da chuva

Quando chovia, muitas crianças iam para a rua, todas com o mesmo propósito: brincar. Umas brincavam de correr, outras pulavam, jogavam gotas de chuva umas nas outras, a criançada se divertia! Mas logo a diversão acabava, quando seus pais as chamavam. - Já pra casa, fulano! – Venha aqui, menina! – Já pra casa, beltrano! – Ôh, menino! Quem mandou você sair? – gritavam os pais das crianças. O pequeno Carlinhos, era uma dessas crianças, que gostavam de ficar debaixo da chuva. Digo ao leitor que ser criança é muito bom e até hoje sinto falta da minha infância, creio que você também se sente assim. Carlinhos, assim como as outras crianças, corria em disparada para casa, quando seus pais o chamava. Alguns pais davam uma boa lição nos filhos com a palmatória, outros apenas davam um puxão de orelha. Os pais de Carlinhos eram destes, quando ele entrava em casa, seu pai lhe dava um belo puxão de orelha e para complementar a ação, sua mãe dizia: – Não é pra sair quando estiver chovendo. Queres ficar resfriado? Menino teimoso!

Carlinhos corria para o quarto. Mas o leitor deve imaginar o que ele fazia quando chovia novamente. Carlinhos tinha 10 anos e adorava correr, era um garoto magro, baixo e muito interativo. Gostava não só de correr, mas também de jogar bola, soltar pipa e brincar de bolinha de gude. Certa vez, ele estava jogando bolinha de gude com os amigos, Pedro e Bernardo, quando eles resolveram "brincar na vera" e agora aquele que ganhasse a partida, teria o direito de escolher uma bolinha de gude do amigo. – Ei! Vamos jogar apostado? – perguntou Bernardo.

– Quem ganhar, fica com uma das bolinhas de gude dos que perderem! – acrescentou Carlinhos.

Assim eles passaram a brincar. Com o tempo, a mãe de Carlinhos reparou que ele voltava da rua com mais bolinhas do que havia saído. – Oras... Que tantas bolinhas são essas, Carlinhos? – perguntou sua mãe.

Carlinhos ficara nervoso, havia sido questionado e estava despreparado para responder, resolveu inventar uma. – Foi que eu ganhei, mãe. – disse ele.

– Ganhou? De quem? – perguntou sua mãe.

Digo ao leitor que as mães quando se põem a questionar, questionam tão bem que deixam seus filhos, muitas das vezes, sem saída! Carlinhos não soube responder. Mais tarde, sua mãe descobriu tudo e Carlinhos levou uns puxões de orelha do pai. – Ora essa! É pra aprender boas maneiras, não é pra ficar apostando! Isto é feio! – gritava seu pai no pé dos ouvidos de seu filho.

Carlinhos, mais uma vez, corria para o quarto. Fim de semana chegando, era uma sexta-feira, quando um pé d'água caiu do céu. – Chuva! –  gritavam as crianças, alegres. Portas se abriam e na rua se via a criançada brincando, sorrindo e se divertindo outra vez debaixo da chuva, inclusive o Carlinhos.

Autor: Ruan Vieira

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Morrer de amor ou morrer no amor?

Morrer de amor

Ao se apaixonar

Ser amado

E também amar

Morrer de tanto amor


Morrer no amor

Ao se decepcionar

Ser enganado

E se enganar

Sofrer de tanta dor


Mas se quiseres

Podes escolher

Morrer de amor

Ao intensamente amar

Ou no amor morrer

E o amor matar


Não mates o amor,

Este não se pode perder

Não chore a dor

De um amor passado

Pois no passado

Esse amor já está


Dias novos vêm

Outros amores também

Nesta vida, há sempre alguém

Disposto a nos amar.


Ruan Vieira

(Poema autoral na voz de Joyce Nascimento do canal Literatura Já! - ano 2021)

domingo, 10 de abril de 2022

Retrato de um filme já passado


Há pouca água e muita sede

Há muita fome e pouca comida

Há tanta casa vazia e ruas tão cheias

Há muita estrada ainda pra ser percorrida

Há uma grande escada pra ser subida

Há uma montanha pra ser escalada

Há uma distância entre nossa vida

Há uma grande muralha pra ser derrubada

Há tanto Muro de Berlim nesta sociedade

Apenas um que fora derrubado

Mas há tantos outros por essas ruas, esquinas, cidades

Enquanto um cai, outro é levantado

A gente paga pra ver, paga pra viver, paga pra respirar

A gente paga pra morrer, paga por crescer

Estou ficando sem nada de tanto pagar

Por seus erros, por sua negligência

Por sua maldade, por sua conivência.

É tiro pra todo lado

Visando um só alvo

É muita gente unida pra te explorar

Religião e Estado já derrubou um bocado

Justiça de olhos fechados

Pra não se envolver, pra não te ver nem te ajudar

E tanto sangue já fora derramado

Tantos inocentes já foram sacrificados

Pra levantar impérios, tronos, reinados

Pra seus heróis, vilões disfarçados!

Que não chegaram sozinhos ao poder.

Pra poucos vencedores vencerem,

Tantos perdedores, nos bastidores

Foram esquecidos, apagados, omitidos

Tiveram que perder

Mas disso você não quer saber

O que te importa é defender seu partido

E idolatrar seu deus preferido

Você com certeza é um filho da pátria iludido

Onde está o seu nacionalismo

Onde foi parar a sua consideração

Essa sua imagem patriota é puro fanatismo

Um patriota de verdade não prejudica a sua própria nação.


Ruan Vieira

domingo, 3 de abril de 2022

O pintor triste


Venâncio queria ser pintor. O sonho de Venâncio era pintar. Ele desejava que as pessoas o aplaudissem ou apreciassem sua arte. Porém, Venâncio, não conseguia pintar. Tentava pintar paisagens, mas não conseguia. Tentava pintar prédios e casas, mas não conseguia. Tentava pintar a natureza, os animais, aves, mas não conseguia. Venâncio ficava triste, achava-se inútil, incapaz. Ele era só e vivia sozinho, era uma pessoa calada, reservada e não tinha muita aproximação com outras pessoas. Era a sua dificuldade, relacionar-se com outro alguém ou até se comunicar. Venâncio não conseguia se comunicar oralmente e não não era hábil escrevendo, por isto nem tentava. Ele tinha muita vontade em si e muita inspiração para a arte. Tentava pôr para fora em telas, toda a vontade e sentimento que tinha. Era um homem intenso. Mas mesmo com tudo isso, não conseguia pintar. Certa vez, em tentativas frustadas de pintar a natureza, paisagens e animais, percebeu que estava tentando fazer pinturas belas, pinturas que transmitiam alegria, porém Venâncio era triste, sozinho e não conseguia pintar. Então, certo dia, ao se olhar no espelho, ele pôde ver em seu reflexo, uma pessoa triste, sua face era triste, caída, pele pálida, sem brilho, sem vida. Ele então teve uma ideia. Pôs-se na sala, pegou o pincel e começou a pincelar. Passou uma hora com o pincel na mão. Quando terminou, ficou um pouco alegre por ter conseguido pintar pela primeira vez, depois de tantas tentativas. Ele pintou a si mesmo, fez um autorretrato. Uma exposição de arte estava para acontecer no final de semana na cidade onde Venâncio residia. Ele ficou sabendo e resolveu expôr sua primeira pintura. Uma certa ansiedade o tomava acompanhada de uma certa satisfação e alegria por ter conseguido pintar seu primeiro quadro. O dia da exposição chegou e Venâncio levou seu quadro para mostrá-lo. Foi um triste momento para ele, pois os dirigentes do evento não o deixaram entrar e disseram que um quadro tão feio e triste não seria exposto e mesmo se fosse, não atrairia a atenção de ninguém. Venâncio ficou triste e resolveu voltar pra casa. Porém, quando partiu cabisbaixo a chutar o vento pelo caminho, ouviu uma voz doce e fina. 
–  Espere, senhor! – gritou uma mulher.
Venâncio parou e ao se virar ficou estupefato! A mulher era tão linda quanto ele podia um dia já ter imaginado que assim o era uma mulher. – Deixe-me ver este quadro. – disse ela.
Ele mostrou seu quadro e ela ficou impressionada com tanta similaridade a ele. – Ficou tão bom! Igual a ti! Uma triste pintura, porém tuas pinceladas foram tão bem expressadas. Uma tristeza bela! – disse a mulher, fazendo gestos com as mãos e com uma voz de admiração.
Venâncio sorriu. Ela era a primeira pessoa a apreciar seu quadro. – Quero tua permissão para mostrar teu quadro numa exposição que farei em minha galeria. – disse a mulher.
Ele confirmou com a cabeça que permitiria. Três dias depois, o quadro dele foi exposto e foi um sucesso. Seu quadro ficou conhecido como o "pintor triste". 

Autor: Ruan Vieira

El hilo rojo del destino (O fio vermelho do destino)

Hay una leyenda oriental que cuenta que las personas destinadas a conocerse tienen un hilo rojo atado en sus dedos que les une el uno al otr...