segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Do jeito que as coisas vão


Se é pra falar da natureza

Não vou ter papas na língua!

Nem vou ter tanta destreza

perante esta situação tão míngua


Do jeito que as coisas vão

Vou morar na geladeira

É tanta da queimada, parece diversão

Mas as consequências são sérias, 

não leve em brincadeira


É tanta da poluição

que até a água está sem ar

É tanta da destruição

que até bicho está sem lar

É tanto do desmatamento

que o nosso verde está cinzento

Nossas matas choram em descontentamento

vendo sua vida virar cimento


O calor está de lascar

que você não quer sair de baixo do chuveiro

Se puser dois ovos na calçada, 

vão inté cozinhar ligeiro

 Aqui fora não dá pra ficar,

eu vou é voltar pro banheiro!


A situação está tão séria

que tem até peixe querendo, da água, sair

Tem até fungo e bactéria

das plantações querendo fugir

E o homem, essa miséria!

Da própria desgraça, morrendo de rir


É tanto do agrotóxico hoje em dia

que você nem sabe mais o que comer

Outrora, despreocupado, a gente comia

Mas hoje tem que ter cuidado

com o que nosso corpo vai absorver


Estão matando nossas florestas

E querendo vender nossa riqueza

Estão sambando sobre os destroços, fazendo festas

E eu chego até a pensar que

Querem transformar num deserto a nossa natureza


E ainda acham pouco o que já estão fazendo

que além de envenenarem a terra,

querem nos envenenar 

Querem nos matar na unha,

querem aos poucos nos matar


E a cada dia que passa

fica mais difícil respirar

Tem animal terrestre ficando sem ar

Tem até animal aquático desistindo de nadar

E eu me pergunto e te pergunto:

 Do jeito que as coisas vão,

aonde a gente vai chegar?


Ruan Vieira


sábado, 27 de novembro de 2021

A fase infantil

Duas coisas são importantes, não só pra nossa infância, como também pra nossa vida: as brincadeiras e os livros. O bom de ser criança é justamente o poder se divertir sem se preocupar com mais nada e o se divertir está atrelado às brincadeiras e consequentemente ao contato humano, à interação. Na modernidade em que vivemos, a moda é o celular. Outrora, uma criança pouco faria questão em ter um ou ao aniversariar pediria um dispositivo tecnológico, mas hoje muitas ganham isso de presente ou fazem questão de ter um. Eu lembro como hoje que quando eu era criança, eu queria ter uma bola de futebol e olha que nunca fui um Ronaldinho em prática e a bola que ganhei foi uma de leite, daquelas que se pegar num muro com cacos de vidro, fura, murcha e assim adeus bola de futebol. Mas mesmo assim eu me divertia com ela e quando a perdia, pedia outra. Além de também me divertir ao brincar de dominó, bola de gude, dama e também com brinquedos como o velho carrinho de boi, bonecos, etc. Lembro também das crianças brincando na rua de pega ladrão, amarelinha, pega-pega, esconde-esconde, entre outras. Além de brincarem de cobra-cega, de rodar pião, de brincar com bola de gude ou até mesmo o velho e bom futebol. Apesar do mundo não ser o lugar perfeito, no momento de diversão, da brincadeira, ele se tornava perfeito. Fosse pelo dia, à tarde ou à noite, chovendo ou não, as crianças saíam e brincavam. Tinha delas que quando se machucavam, iam para casa para colocar um curativo e voltavam pra continuar brincando. O bom da vida é ser criança... Hoje em dia, isso está diminuindo cada vez mais. As crianças de hoje, muitas delas, só ficam num quarto trancadas de frente para um computador ou até mesmo para um celular ou tablet. Elas estão deixando de lado vivências, experiências que podem fazer falta mais à frente. Porque até mesmo a falta de interação com pessoas, refiro-me ao contato pessoal e não virtual, origina cada vez mais crianças antissociais e menos comunicativas, isso vai de casa até a escola e a acompanha até a vida adulta. Nós (seres humanos) precisamos estar em contato, precisamos ter amigos, precisamos passar pela fase da infância e brincar. O mundo está cada vez mais tecnológico, disso sabemos, mas vamos devagar para com as crianças. Além delas se afastarem do mundo afora, elas também se afastam de uma ferramenta muito importante, o livro. Ler para uma criança, contar histórias, incentivá-la a ler, facilita no seu desenvolvimento, porque favorece a sua imaginação e sua criatividade. Uma criança tem que ter contato com livros, preferencialmente infantis. Ao invés de dar um celular de presente a ela, dê livros de leitura, de pintura. Incentive-a a ler, a criar, a se divertir. Se não a quer na rua brincando com outras crianças, brinque com ela dentro de casa. Mas privá-la de ser criança é que não se deve fazer. Tratá-la como adulta ou influenciá-la a se comportar como uma, também não se deve fazer. A vida é feita de fases, cada ser humano passa por elas e têm que passar. Há um padrão: A princípio bebês, depois crianças, pré-adolescentes, adolescentes, jovens, adultos, no fim idosos. Não pule de jeito nenhum nem mesmo empurre seu filho ou sua filha criança para a fase adolescente, para a jovem ou até mesmo para a adulta. Também não permita que a mesma queira ser o que não é. Ela há de se arrepender depois, futuramente. Ensine-a que a infância é a melhor fase que a gente tem e que ela não pode deixar passar a oportunidade de vivê-la.  As brincadeiras fazem parte, os brinquedos, os livros, isso tem que estar presente na educação de uma criança.

No poema abaixo, o poeta expressa através de seus versos, a saudade da infância e a sua melancolia perante a uma nova fase de sua vida: a juventude.

Infância

O vento sopra e leva

toda essa poeira,

mas essa tristeza

ainda está no ar

O tempo passa e leva

a minha vida inteira

E todos os meus sonhos

ficam a flutuar

E toda a saudade

fica no meu peito

Eu sinto que vivi,

mas não vivi direito

E todas as lembranças

ficam na memória

do meu tempo de criança...

Ah! se eu pudesse voltar

Porque essa juventude

é tão solitária

E se o tempo passa

ninguém mais quer brincar.


Ruan Vieira


quinta-feira, 25 de novembro de 2021

O ser tão


O ser tão


O ser tão pobre

O ser tão nobre

O ser tão valente

O ser tão gente

O ser tão humilhado

O ser tão esquecido

O ser tão estereotipado

O ser tão ferido

O ser tão quente

O ser tão sobrevivente

O ser tão até que a morte

O ser tão, antes de tudo, forte

O ser tão sonhador

O ser tão artista

O ser tão agricultor

O ser tão idealista

O ser tão humilhado

O ser tão produtivo

O ser tão cobiçado

O ser tão atrativo

O ser tão importante

O ser tão celeste

O ser tão abundante

O ser tão nordeste

O ser tão cultural

O ser tão rico

O ser tão natural

O ser tão único.


Ruan Vieira

Conto dos livros

Na casa de Miguel, todos têm celular, menos ele. Miguel era um pequeno garoto, inteligente e extrovertido, de apenas cinco anos e estava prestes a fazer seis no final do mês. Dos irmãos, ele era o caçula. Seu pai estava planejando dar de presente a seu filho um celular. Todos já tinham, menos o pequeno Miguel. Então, Fernando, prometeu-lhe um presente.

– Pai, posso dizer o que eu quero de presente? – perguntou Miguel.

– Pode, filho. – disse Fernando.

– Um livro! Eu quero um livro! – disse Miguel, com uma entonação animada e firme.

O garoto tinha certeza do que queria. É bem difícil uma criança decidir o que quer, dentre tantas coisas pra se querer. Mas Miguel queria um livro. Seu pai ficou surpreso com o pedido e disse que ia pensar. Fernando foi conversar com sua esposa, Cristina.

– O nosso filho quer um livro! Só que eu estava para lhe dar um celular. – disse Fernando.

– Oras! Dê o livro! Eu dou o celular a ele! – disse Cristina, empolgada e com uma voz decidida.

O pequeno Miguel estava ouvindo e gritou um  “Não” para a fala da mãe.

– Eu quero um livro, mãe! – acrescentou ele.

– Mais outro livro? – perguntou sua mãe.

– Sim! Eu só quero livros, nada mais. – disse Miguel.

Chegou o aniversário do caçula e ele ganhou quatro presentes. O leitor já deve imaginar o que ele ganhou, mas eu hei de dizer. Quatro livros! O pequeno garoto ganhou um livro de sua irmã, do seu irmão e de seus pais. No próximo mês foi aniversário de seus irmãos. Ambos ganharam presentes e ambos pediram livros. Os seus pais ficaram surpresos.

– Isso começou com o Miguel! Vamos perguntar a ele o porquê do livro. – disse Fernando, olhando pra Cristina.

Eles entraram no quarto do garoto e lhe perguntaram o porquê do livro de presente.

– A leitura é importante para o nosso cérebro. A gente aprende coisas novas, palavras novas e assim a gente vai adquirindo conhecimento! – disse Miguel, fechando um dos livros.

– Mas você poderia ler no celular! – afirmou Fernando.

– Sim. Mas não seria a mesma coisa, não se compara um livro com uma máquina. O prazer de segurar o livro, de sentir seu cheiro, de apreciar cada palavra não se compara… Sem esquecer de fazer uma coleção! – disse o pequeno garoto, alegremente.

Os pais de Miguel ficaram impressionados com as palavras do caçula. No aniversário de seus pais, ambos pediram um livro de presente. Com o tempo e sem perceber, eles deixaram o celular de lado. A casa dos Silveira virou uma biblioteca de tantos livros e os celulares estavam se tornando obsoletos. Mas vale lembrar que quem começou tudo isso foi o pequeno Miguel.

Autor: Ruan Vieira

Conselhos de uma mãe


Desde meninu

Já ouvi minha mãe dizê

— Meu fio, estude!

Pra ser alguém quando crescê

Porque no mundo vão olhá pra você

Vão te julgá sem conhecê

E muitas coisas vão dizê


Não desanime, a estrada é comprida

Vez e quando você vai se cansá

Mas seja forte perante esta vida

Mesmo que se sinta sem saída

Não adianta se desesperá

Porque a vida oscila entre descida e subida

E se hoje você está embaixo, amanhã não vai está


A vida é uma escola e vai te ensiná

que muita gente que você conhecê

Por interesse, vão se aproximá

Só pra querer te usá

E inté vão fingir ser amigo de você

Só pra no fundo querer se apoiá

No sucesso que, meu fio, vai fazê


Olhe pra frente e preste atenção

Pra não tropeçá nas pedras no caminho

Mantenha o foco em sua direção

O seu futuro não é o crime nem a prisão

A educação que é o seu caminho

Por isso eu peço, estude direitinho

Pois um pobre que estuda é ato de revolução.


Ruan Vieira

Peças de xadrez

No xadrez, esporte de origem asiática, os peões, apesar de serem considerados irrelevantes na visão de algumas pessoas, têm um papel fundamental no jogo. Os peões, apesar de aparentemente serem fracos, são muito fortes, pois são o escudo do restante das peças. Numa batalha medieval, o escudo é tão importante quanto a espada, pois sem ele você fica vulnerável. Sem o escudo (peões) no xadrez, você fica em desvantagem, pois suas peças vão ficar livres para receberem ataques. Mas com ele, há segurança e um equilíbrio. Assim é a importância dos peões. Às vezes me parece que o mundo é um grande tabuleiro de xadrez e nós somos as peças. Apesar de haver reis e peões nesta sociedade, no fim, estamos todos num mesmo jogo. O trabalho em equipe, a cooperação mútua é essencial e deveria ser parte de nossa conduta comportamental, pois num jogo de xadrez se não há entrosamento nem trabalho em equipe entre as peças, você perde. Não há sentimento de superioridade nem de inferioridade entre peças de xadrez, pois todas elas são importantes. Um rei depende de seus peões e vice-versa. A peça mais fraca no xadrez não são os peões, é o rei. Apesar de estar numa posição de destaque, ele precisa das outras peças. No mundo em que vivemos, não deveríamos viver em separação, tratando uns aos outros com indiferença, porque sobre o tabuleiro da vida nós estamos juntos num mesmo lugar. O que prevalece num jogo de xadrez é a coletividade estratégica entre as peças. Isso deveria ser posto em prática no dia a dia e ser levado em conta. Afinal, não somos inimigos nem mesmo adversários, somos peças integrantes de um mesmo jogo, apesar de diferentes, temos um mesmo fim. Peças brancas ou pretas, reis ou peões, bispos, torres, cavalos ou rainhas, todas vão para o mesmo lugar, quando o jogo termina. Guerrear entre nós mesmos não nos leva a lugar algum nem altera nosso papel, pois continuamos a ser apenas peças, as mesmas peças de xadrez. Estabelecer quem é rei ou peão cabe a nós. Mas todos nós podemos ser o que quisermos. Podemos ser o escudo, podemos ser a espada, podemos andar uma só casa no tabuleiro ou podemos andar por todas as direções. Não lutaríamos pela sobrevivência se não houvesse tanta desigualdade no jogo, o que todos nós buscamos é viver, mas só trabalhando em equipe que venceremos.

Por Ruan Vieira

Um país de cegos


Esses homem não acaba com a pobreza

pois a pobreza é o que sustenta eles

Esses homem não combate a pobreza

Pruque a pobreza serve pra riqueza deles


Esses homem de terno e gravata

não se preocupa com a população

O que importa pra eles é a mamata

Nem importa se é corrupção


Esses homem de nariz empinado

Na eleição, pegam inté na sua mão

Se deixar, andam inté todo rasgado

Pruque o que importa é mandar bem na encenação


Êta povo pra gostá de ser enganado

Êta povo pra gostá de sofrê

Êta povo pra gostá de ser usado

Êta povo pra gostá de se vendê


E o país segue feito trêm desgovernado

pois num tem gente decente pra governá

Breve nos jornais vai ser informado:

"País à venda pra quem quiser comprá!"


E na política tem gente inté demais

coçando o saco, sem nada fazê

Trabalhador ganha pouco, eles ganham mais

É uma realidade que dá raiva de se vê


E o que me irrita inda mais, eu vou dizê

é gente pobre defendendo usurpadô

Um país de cegos, que não vê

que eles mesmos botam no poder um gigolô!


Ruan Vieira

Democracia, a piada brasileira

A Democracia só serve para o povo escolher livremente os seus Ditadores. Sem falar que quando se fala em Democracia, fala-se em Coletividade. Já que a palavra, de origem grega, significa "poder ao povo" e não "poder a alguns". Porém, em Atenas, a Democracia fugia ao que realmente devia ser e uma minoria era quem detinha de privilégios e poder (os eupátridas). No Brasil, não há Democracia. Há uma disputa voltada para a maioria ganha e a minoria perde. E a maioria põe a minoria na lama, a maioria dá poder a governantes com "Síndrome de Rei". A maioria põe ditadores, aproveitadores e exploradores no poder. A sociedade brasileira se resume em uma mera briga entre direita e esquerda e enquanto esses dois lados disputam entre si, o país não sai do lugar. Penso eu que o grande objetivo deveria ser levar o país para a frente, o real sentido que ele deve seguir. Porém, a política brasileira se divide e a população também, já que enquanto uns idolatram a direita, outros idolatram a esquerda e o país continua na mesma, sem mudança, sem direção, sem objetivo. Aqueles que entram deveriam realmente fazer a diferença em comparação aos que não fizeram anteriormente, porém a única mudança que acontece é a de um político mau caráter para outro mau caráter. Nada muda. Você retira um ladrão que roubou e põe outro ladrão para roubar. Eis o nosso sistema democrático. As pessoas cobram tanto, mas na hora de darem um basta em toda essa palhaçada, não dão. Há aqueles que criticam tanto o sistema corrupto, mas também fazem parte dele. A venda de votos não teria eficácia se não houvesse compradores, a compra de votos não teria eficácia se não houvesse vendedores. Essa prática voltada pra uma troca, vem desde antigamente, no próprio Brasil, na República Velha, havia o “Clientelismo” e hoje em dia isso não mudou, ainda continua. Muitos conseguem mascarar e sustentar aparências, porém essa troca nunca deixou de acontecer. Um político que compra o seu eleitor não é digno de chegar ao poder. Um eleitor que se vende para um político não é digno de ser chamado de cidadão. Muitos podem tentar justificar essa troca de favores e tentar minimizar a prática, porém não deixa de ser uma prática imoral e que geralmente só resulta em uma pessoa se dando bem e a outra continuando na mesma situação. Pense que um pobre ao pegar 100R$ com um político e em troca arranja votos para esse político, não vai deixar de ser pobre. Já o político, caso chegue ao poder, vai encher seu próprio bolso. Sem falar que o dinheiro que o pobre pega com um político, muitas das vezes, nem é do político. É dinheiro público, do povo, do próprio pobre. O político só vai estar devolvendo uma pequena parte para você, por exemplo 100R$, mas vai sair ganhando mais do que 100R$ em cima de você se ele chegar ao poder. É uma mentalidade voltada para a exploração. É o que chamamos popularmente de "passar a perna". A política brasileira é uma tremenda palhaçada e a democracia é uma piada.

Por Ruan Vieira


A literatura brasileira


Começa lá no período colonial

Com as narrações dos viajantes

vivências dos navegantes

Com suas cartas escritas para Portugal

Falando sobre a terra, a paisagem e até uma ilusão

De uma distorcida visão

de que acharam um povo selvagem e canibal

Pero Vaz de Caminha, Pero Lopes e Souza

Fernão Cardim, Américo Vespúcio, esses e outros  

fazem parte dessa literatura da informação

Pois foram eles os responsáveis pelas narrativas

pelos poemas e pelas cartas escritas

sobre a nossa colonização


E mais a frente, uma inovação

Contrapondo o Classicismo

Surge o Barroco em oposição

Com seus fortes contrastes

E com seu brilhante dualismo

Entre o homem e Deus

Entre o cultismo e o conceptismo

Tendo início em 1601,  

com o poema épico de Bento Teixeira

Revelou ao mundo mais dois gênios:

Gregório de Matos e Padre Antônio Vieira


Depois do Barroco

veio então o Arcadismo

com seus textos mais simples, mais leves

E com sua essência no bucolismo

Revelando ao mundo literário, novos escritores

Sendo Cláudio Manuel da Costa,  

Tomás Antônio Gonzaga e Basílio da Gama

os seus grandes precursores  


 Logo após veio o tão belo Romantismo

Dividido em três fases excepcionais

Com textos Indianistas, Nacionalistas

Byronianos, Individualistas

Condoreiros, sociais

Revelando ao mundo literário

Na poesia

Poetas como Gonçalves Dias, Castro Alves

Casimiro de Abreu e Álvares de Azevedo

E na prosa

José de Alencar, Manuel Antônio de Almeida

Visconde de Taunay e Joaquim Manuel de Macedo  


E contrapondo o Romantismo

e a sua linguagem subjetiva

Surge então o Realismo

com uma linguagem mais objetiva

com seus traços mais detalhistas e mais realistas

E junto a ele, vem também, o Naturalismo

retratando o homem como um "caso"

a ser analisado cientificamente

estudando o seu comportamento  

com uma visão psicológica e filosófica, principalmente  

Aluísio de Azevedo, principal escritor desse movimento,

foi o grande nome do Naturalismo  

E o tão querido Machado de Assis, o Bruxo do Cosme Velho

foi o principal nome do Realismo


Olavo Bilac, Raimundo Correia

e Alberto de Oliveira

foram os principais nomes do Parnasianismo

Um movimento estético, rico na estrutura

na rima e no objetivismo

Foi uma manifestação com tendências  

do Realismo e do Naturalismo

Eles focaram mais na forma e na construção

"Arte pela arte" era a máxima do Parnasianismo


E mais a frente vem o Simbolismo

com sua musicalidade nos versos

focando na liberdade de escrita

contrapondo a rigorosidade do Parnasianismo

Para os simbolistas

"arte é emoção

e o símbolo deve resumir  

uma lenta e vivida elaboração"

Cruz e Souza e Alphonsus de Guimaraens

foram os dois maiores nomes desse movimento

com seus poemas ritmados e musicais,

deram ao mundo mais encantamento


No início do século XX

desponta, então, o Pré-Modernismo

buscando mostrar as falhas de uma sociedade dividida

abordando dentre outros temas o regionalismo e o nacionalismo

Nomes como Monteiro Lobato, Lima Barreto

Euclides da Cunha e Graça Aranha

integram essa fase do Pré-Modernismo

E não menos importante, ele! Augusto dos Anjos!  

se destacando na poesia, transitava entre o Parnasianismo e o Simbolismo

Com seus versos excêntricos, o poeta do Eu tem seu encanto

marcado pela sua intensidade e pessimismo


E em 1922, um evento desencadeia o Modernismo brasileiro

A Semana de Arte Moderna foi um evento que aconteceu  

no Teatro Municipal de São Paulo no mês de fevereiro

Reunindo diversos escritores e artistas

como Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia,

Manuel Bandeira, Heitor Villa-Lobos, Mário de Andrade

Sérgio Milliet, Victor Brecheret, Di Cavalcanti

Anita Malfatti, Guiomar Novaes, Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade


E o Modernismo no Brasil

teve muitas etapas, cada uma com sua particularidade

A primeira fase, conhecida como "heróica"

teve como seus principais nomes,  

Oswald de Andrade, Manuel Bandeira e Mário de Andrade

Nesta fase, houve destaque para o verso livre

poemas-piada, liberdade formal e fala popular

com a publicação de diversos trabalhos em poesia e prosa

como Macunaíma; Libertinagem; e Memórias Sentimentais de João Miramar;


E nesta época movimentos aconteceram  

com o objetivo de valorizar a cultura local

Movimento Verde-Amarelo, Pau-Brasil e o Antropofágico,  

esse último tendo início com o Abaporu de Tarsila do Amaral

Movimentos estes ricos em críticas, pensamentos, versos

E ideias que enriqueceram mais o mundo literário e cultural


E na segunda fase conhecida como "geração de 30"  

Nomes como Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes

Cecília Meireles, José Lins do Rego, Jorge Amado,  

Graciliano Ramos, Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz e Vinicius de Moraes  

são o destaque dessa fase, com seus trabalhos excepcionais

como Sentimento do Mundo; A Rosa do Povo;

Espectros; Viagem; Menino de Engenho; Fogo Morto;

Capitães de Areia; Romanceiro da Inconfidência;  

Gabriela Cravo e Canela; Retrato Natural; e Mar Morto;

Confissões de Minas; Vidas Secas; Caetés; O Moleque Ricardo;

Clarissa; Música ao Longe; O Tempo e o Vento; Caminhos Cruzados;

O Quinze; Poemas; Sonetos e Baladas; Forma e Exegese; e São Bernardo;


E na terceira fase do Modernismo

se destaca um rigor na forma e poesia de participação social

desintegração de verso, narrativas interiorizadas

fluxo de consciência, experimentações poéticas e narrativa confidencial

tendo Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto

Nelson Rodrigues e Rubem Fonseca e Clarice Lispector  

como os principais escritores

Enriquecendo ainda mais a literatura local

Pois nesta fase não se pode falar em um estilo específico

pois há diferentes tipos, como poesia concreta, romance regional

Contos, crônicas, ensaios e até romance policial

Tudo isso e um pouco mais

fazem da literatura brasileira mais que rica, marcante e original.


Ruan Vieira

(Uma poesia em homenagem ao dia da literatura brasileira, dia 01 de maio, destacando algumas escolas literárias e incríveis artistas e escritores, que fizeram história e deram mais visibilidade a cultura, a arte e a literatura do nosso país, através de seus trabalhos, desde um quadro pintado a um livro escrito; em prosa ou em poesia.)

Um índio na cidade

Nada melhor do que ter ar para respirar, mas um bom ar, um ar puro. Este faz bem à saúde e os pulmões agradecem. Assim pensava Tirú, um dos índios que saiu da floresta e foi pra cidade. Ele se cansou da floresta e foi experimentar viver na vida urbana. O que ele não esperava era encontrar um lugar tão aglomerado, com muita gente, muita movimentação, carro pra lá, carro pra cá, moto que vai, moto que vem, automóveis e pedestres, muita circulação, muita poluição. Tirú ficou impressionado com tanta gente, tanto automóvel. Ele estranhou as roupas e os dispositivos eletrônicos que as pessoas usavam. Tirú saiu da mata porque cansou da vida que levava, sem falar que ele era sozinho e Tirú cansou de ficar sozinho na imensidão da floresta. O que ele não sabia era que não precisava ir até à cidade, porque ela já estava vindo até ele. Andando pelas ruas e calçadas, com apenas uma parte de seu corpo coberta, ele chamou a atenção de pessoas que estavam a passar e notaram na sua vestimenta. Uma mulher exclamou: – Meu deus, um índio! Algumas pararam pra tirar foto com Tirú. Outras passaram longe. Ele ficou um pouco assustado ao ver algumas pessoas deitadas no chão. Eram moradores de rua. Tirú se aproximou e se deitou perto deles, ficou observando que a maioria das pessoas seguravam um dispositivo na mão. Tirú queria um também. Ele saiu à procura de algum lugar que tivesse aqueles dispositivos. No caminho, presenciou um acidente de carro, um motorista estava ao telefone e o outro alcoolizado. Tirú ficou assustado e correu.

Ele se escondeu atrás de um poste e ficou observando a cena de longe. Pessoas se aproximaram pra tirar foto. Os dois motoristas haviam se ferido. Depois de alguns minutos, chamaram à ambulância, mas só depois de publicarem as fotos nas redes sociais. Tirú foi embora daquele lugar, foi para uma outra rua. Ele viu mais pessoas deitadas na rua e não entendia. Com tantas casas, tantos prédios, com tanto lugar no mundo, ele não entendia o porquê de tanta gente morando na rua. Ele se sentou na calçada. Com frente a onde ele estava sentado, havia um supermercado. Ele ficou observando as pessoas entrando sem nada e saindo com um carrinho cheio de alimentos. Tirú se levantou e entrou também. Ele se maravilhou com tanta comida em um lugar só. Ao ver uma banca cheia de frutas, ele se dirigiu até ela e ficou observando as pessoas a pegarem algumas frutas e colocarem em carrinhos ou cestas, ele então pegou uma goiaba, mas como estava sem ter onde colocar, levou a fruta à boca. Um rapaz que estava próximo ao índio o repreendeu. “Não pode fazer isso se não for pagar!” Tirú nem entendeu o que o rapaz queria dizer e antes de sair dali, pegou mais algumas frutas. O segurança logo foi chamado e Tirú causou uma confusão no supermercado. Mas no fim, foi liberado e saiu sem nada. Só com uma goiaba no estômago. Ele ainda estava com fome e enquanto andava, avistou um trailer parado, com algumas mesas com cadeiras ao redor. Era um ponto de fast-food. Ele sentiu um cheiro bom, estavam fritando carne. Tirú logo se dirigiu ao lugar e reparou em pessoas se sentando à mesa. Elas logo viram o índio se aproximar e algumas o convidaram para sentar e comer. Pediram para o índio um hambúrguer e batata frita acompanhada com coca-cola. Tirú estava com tanta fome, que assim que o garçom pôs o lanche sobre a mesa, ele não pensou duas vezes e começou a devorar o lanche. Ele comia um pedaço do hambúrguer e logo em seguida pegava algumas batatas e colocava na boca um atrás do outro, depois tomava o refrigerante. Não demorou muito pra que o lanche fizesse um estrago no estômago do índio, em plena hora de almoço, as pessoas comendo frituras, elas já estavam acostumadas, mas Tirú não estava e a dor de barriga que deu nele foi tão forte que o coitado não aguentou e correu pro mato mais perto. As pessoas riram, algumas até sabiam o que Tirú estava passando, pois assim como ele, também já passaram pela mesma situação e ainda passavam. Mas como a vida estava corrida, elas apressadamente sempre ingeriam lanches ao invés de um almoço saudável, era mais rápido comer frituras ou comidas já prontas na rua, do que ir pra casa e ter que cozinhar. Tempo não era algo que àquelas pessoas tinham de sobra. Depois do acontecimento constrangedor, Tirú fugiu daquele lugar, estava assustado. Enquanto andava, ele passou por alguns lugares e viu uma fumaça saindo e deixando o céu cinza. Perto de onde ele estava, automóveis passavam e Tirú logo começou a tossir, ao respirar aquele ar. Ele começou a correr. Distraído, o índio se bateu em um padre, que estava saindo da igreja. O padre ficou impressionado com o que viu e logo pegou na mão do índio e disse: – Meu filho, faz tempo que não te via. Seus ancestrais estavam perdidos, assim como você agora, mas foram ajudados a encontrar o caminho. Vem, eu vou te ajudar. Primeiro, você precisa mudar essas roupas. Vem comigo.

O padre levou Tirú pra dentro da igreja e o apresentou a alguns civis. Um deles logo exclamou:

– Padre, vamos catequizá-lo!

E os outros também se pronunciaram: – Amém! Mais um selvagem entrando no caminho da civilidade.

Tirú só ouvia vozes, mas não entendia nada. Ele logo reparou no lugar onde estava e não se maravilhou com o que viu e, assustado, mais uma vez correu e fugiu dali. Ao andar pela cidade, ele sem saber bem por onde ia, passou por lugares estranhos pra ele. Adentrou em ruas aparentemente abandonadas, as casas velhas, a rua esburacada, um mau cheiro tomando conta do lugar. Moradores com o rosto abatido, tristes, cabisbaixo, como se tivessem sido esquecidos, como se estivessem cansados, sem esperança. Tirú foi andando e passando por lugares que pareciam ser os mesmos, mas eram ruas diferentes. Ele não entendia. Porém se sentia triste. Em uma das ruas, tinha alguém tocando fogo em coisas velhas, Tirú logo se desesperou com todo aquele fogo e aquela fumaça, ele procurou por água e pegou um balde velho com água parada, cheia de larvas de mosquito que estava sobre uma calçada e jogou sobre o fogo. O morador logo se irritou com a atitude do índio e começou a xingá-lo. Tirú saiu correndo e sem olhar por onde ia, tropeçou num pedaço de pau e caiu sobre um monte de lixo. Era muito lixo, ele nunca tinha se deparado com aquilo. Havia alguma coisa escrita no muro, mas Tirú não conseguiu decifrar. Estava escrito: “Proibido jogar lixo”.

Depois de passar por vários lugares e andar no meio de todas àquelas pessoas, Tirú começou a sentir falta de casa, ele começou a perceber que o lugar em que estava não era um bom lugar e a solidão ainda o acompanhava, mesmo estando rodeado de tantas coisas e pessoas. Enquanto mergulhava na saudade, ele foi surpreendido por um homem engravatado, que foi em sua direção e lhe pediu ajuda. Algumas pessoas que passavam, cumprimentavam o homem o chamando de Dr. Cristóvão. Esse cidadão bem trajado e educado, estava concorrendo na eleição para prefeito da cidade e precisava de um vice. Como sua campanha era em prol do meio ambiente, de povos indígenas e suas terras, além da preservação da natureza, ele decidiu convidar o índio para se juntar a ele. Tirú não entendeu nada, mas Dr. Cristóvão conseguiu se aproximar dele. Comprou roupas para o índio e lhe disse para se vestir, pois iriam para uma entrevista e ele apresentaria o seu vice para o público. Tirú pôs as roupas, mas se sentiu estranho. Mas não teve tempo de tirar, porque o político já foi o pegando pelo braço e o levando para o carro. – Estamos atrasados! – disse Cristóvão. Ao chegar ao destino, alguns eleitores tiraram fotos com o político favorito. Tirú estava desnorteado naquele lugar. Ele viu o Dr. Cristóvão passando um papel amassado pra algumas pessoas, que aparentemente estavam cobrando alguma coisa. Cristóvão sorria cinicamente e um pouco constrangido, mas seguiu em frente e anunciou oficialmente a sua candidatura, as suas propostas e o seu vice. Tirú estava totalmente perdido ali. Pediram pra o índio aparecer e falar alguma coisa. Mas ele só apareceu, tiraram fotos dele, mas Tirú nada falou. O político abrigou o índio, deu de comer e beber para ele, manteve o vice por perto. Tentou lhe ensinar a sua língua, mas logo se deparou com um dilema. Pois Cristóvão queria ensinar a língua que havia aprendido para o índio, mas percebeu que a língua a qual falava não pertencia aquele lugar, mas que havia sido trazida por outros e que no fim das contas, ele era quem devia aprender a língua do índio. Então, ficou um pouco confuso com tudo isso e desistiu da ideia. Alguns dias se passaram, desde a ida de Tirú à cidade. Ele ainda não havia se acostumado ao lugar e estava com vontade de ir embora. Cristóvão percebeu a inquietação do rapaz e fez um trato, disse para o índio que assim que ele tivesse um resultado, Tirú poderia voltar pra casa. Após mais alguns dias de estranheza e saudade, o índio foi avisado que logo seria liberado para voltar pra casa. Pois o político havia logrado êxito e se elegeu para prefeito da cidade. Tempo depois, assim que assumiu, Dr. Cristóvão, contrapondo sua campanha, mandou derrubar algumas árvores para construir alguns edifícios para ampliar seus negócios. Tirú ainda estava na cidade, havia ficado mais um tempo na casa do novo prefeito. Quando o índio voltou pra floresta, ficou assustado e triste com o que viu. Pois não havia mais floresta. A cidade estava cada vez mais perto e enquanto ele estava na área urbana, a sua casa foi engolida e sumiu. Tirú começou a chorar e ficou enfurecido. Sem ter pra onde voltar, o índio foi obrigado a conviver entre aquelas pessoas estranhas. Ele teve que aprender a se comunicar na língua falada pelos outros, teve que se vestir como os outros, teve que procurar um trabalho e teve que mudar seu modo de se comportar pra se encaixar e fazer parte da civilidade. Aos poucos, Tirú foi se afastando de suas origens e perdendo sua identidade. Quem um dia o viu como índio, agora já não o reconhece.

Autor: Ruan Vieira

Castelo sobre areia


Seu castelo

não vai ter sustentação

Pois foi sobre a areia

que fizeram a construção


Esqueceram de construir sobre um plano reto

Esqueceram do concreto

E fizeram uma “lambação”


E montaram no lugar que não era certo

Porque não foi no plano reto

que fizeram a construção


E sobre a areia, nada se constrói

Pois o vento sopra, desaba, destrói

Levando tudo ao chão


Se você pensa que seu reinado vai durar

Preste atenção onde ele está

E cuidado com a inundação


Pois não se esqueça que as águas do mar

No vai e vem, há de voltar

E vai desabar sua construção.


Ruan Vieira


Que patriota é esse?


Que patriota é você?

Que não defende o seu país?

Não cuida, não zela, não quer saber

Você, com certeza, não é patriota, é um infeliz!


Patriota de verdade

Luta com garra por sua Nação

Mas você só se importa com poder e publicidade

Você até pensa estar acima da Constituição

Meu fio! Que mentalidade…

Acorde que você está vivendo numa ilusão


Você não governa pro povo

Você só governa pros seus

E neste momento, tem gente passando fome

E pedindo comida pra deus

Tem família que na mesa só tem ovo

E tem gente que ainda nem comeu


Mas pra você só importa o dinheiro

E o país sem direção, segue perdido

Pra você só importa lá fora, o estrangeiro

E o próprio país segue sendo esquecido

Eu não sei como você ainda se diz brasileiro

Para mim, seu patriotismo é pros Estados Unidos


E o infeliz ainda tem seguidor

Tem fã, defensor, admirador

Penso eu: – Meu deus! Que fanatismo sem noção!

O cabra esculhambando o país

Só “batendo” no trabalhador

E você ainda bate as mãos?

Que patriota é você, então!?


Ruan Vieira

O Dia em que a Terra parou

"A floresta está pegando fogo...", "Queimadas e a poluição...", " As ações humanas estão cooperando para o aquecimento global...", "Mais de... hectares foram queimados...", "Florestas desmatadas...", "Lixo nos Oceanos?", "As temperaturas aumentam...", Poluição, Desmatamento, Queimadas, Lixo... A natureza sendo atacada e explorada bruscamente pelo homem, mas o homem necessita da natureza para sobreviver. O que passa na cabeça desses humanos que ferem e destroem aquilo que lhe proporciona a vida? O ser humano, com o tempo, esqueceu que a natureza devolve tudo aquilo que ele faz. O pior de tudo isso é que todos nós somos afetados por ações imbecis de seres humanos imbecis que agem irracionalmente pensando em prol de sua ganância e sobrevivência de seus negócios e sua mera economia, o sistema capitalista invade as florestas e me pergunto se um dia teremos a capacidade de respirar oxigênio, pois o desmatamento só aumenta e as árvores estão sendo derrubadas, com poucas árvores, menos oxigênio, menos vida. Até quando o homem vai destruir a natureza e fazer todos pagarem por seus erros?  ativista, Raul Nonato.

(Jornal - Ordem e Progresso)

Esta manchete foi publicada no jornal da cidade. Pará estava em casa com sua esposa Lira e seu filho Peri, quando o entregador de jornais passou e deixou o jornal do dia na sua porta. 

 Peri, o jornal chegou!  gritou Lira. 

Peri era um pequeno garoto, mas com uma mentalidade e um senso crítico para além de sua idade. Ele era descendente de índios, por parte de pai. O pequeno Peri adorava ler jornais. Ele correu até a porta e pegou o jornal e foi para o seu quarto lê-lo. Ao término da leitura, Peri pesquisava em livros escolares o significado de alguns termos que ele não conhecia e depois ele fazia um comentário com seus pais. 

 E então, filho? Sobre o que leu hoje?  perguntou seu pai. 

 Li sobre a relação entre o homem e a natureza nesta modernidade.  disse Peri. 

 Que legal! E o que achou?  perguntou sua mãe. 

 Não gostei muito.  disse ele. 

 Por quê, filho?  perguntou seu pai. 

 Porque as ações humanas estão cooperando para o aquecimento global e a natureza está sendo atacada por todos os lados!  exclamou Peri. 

 Como assim, filho?  perguntou sua mãe. 

 A natureza é nossa mãe! Como podem ferir a mãe natureza? Eles fazem queimadas, desmatam, poluem o ar, espalham lixo pela sociedade, eles destroem o que há de mais sagrado nesse mundo.  gritou Peri, um pouco exaltado. 

 Calma, filho!  gritaram seus pais. 

Peri era um garoto um pouco agitado e quando o assunto era a natureza, ele ficava irado. A natureza, para ele, era muito importante. Peri gostava muito de português e principalmente de escrever redação. Nas aulas de português, ele se divertia. Sua professora, Josefina, adorava o pequeno Peri. Certa vez, ela passou uma atividade para a casa, pediu para os alunos produzirem um texto sobre o aquecimento global. Peri ficou empolgado para escrever e a primeira coisa que fez ao chegar em casa, fora o beijo na mãe, foi ir para o seu quarto produzir seu texto. O título era opcional, mas Peri optou por um título e começou a escrever. 

A natureza perece, enquanto o homem enriquece. As ações humanas estão afetando negativamente a mãe natureza, não só a ela, mas a todos nós. O nosso país foi abençoado com tanta riqueza natural, a nossa biodiversidade, nossas florestas... O mundo foi abençoado e tem a natureza a seu dispor. Porém, não para destruí-la, mas para conservá-la e preservá-la. Mas não é isso que estamos fazendo e certas ações cooperam para um grande problema, o aquecimento global. Este problema envolve o aumento da temperatura, resultado de ações antrópicas, como as queimadas, o desmatamento, a poluição por parte das indústrias, fábricas, automóveis. Muitos não se importam com todo esse quadro em que estamos vivendo, não dão a mínima para a preservação da natureza. Alguns dizem que estamos em progresso, mas não enxergo como progresso, mas sim um regresso! A humanidade precisa acordar e cuidar da natureza, nós não somos nada sem ela, nem podemos viver sem ela. O que seria do ser humano sem água ou sem o oxigênio? Mas me refiro a água saudável, bem tratada. Pois até a água está sendo alvo de poluição, lixos e mais lixos no oceano... A que ponto chegamos? A humanidade precisa acordar o quanto antes, pois quanto mais o tempo passa, mais os problemas causados pelos próprios seres humanos aumentam. Quanto mais se desmata, mais se coopera para um desequilíbrio ambiental, são as árvores que estão em jogo, é a natureza sofrendo nas mãos dos homens. O que ela nos fez para sofrer tanto assim? E os animais? O que eles nos fizeram? Precisamos acordar e pôr a mão na consciência... Enquanto continuarmos agindo assim com essa indiferença e descaso para com a mãe natureza, ela dará um jeito de pôr um fim nisso e nós iremos sofrer as consequências por nossos próprios atos, somos e seremos os culpados por todo o desequilíbrio futuro no meio ambiente.

Após ler as produções textuais, Josefina se encantou com o texto criativo e consciente do pequeno índio. Ela o chamou para fazer uma proposta. Josefina, além de professora, trabalhava no jornal e pediu a permissão de Peri para publicar seu texto no jornal da cidade e no site do jornal. Peri comunicou aos seus pais e eles deram o aval. Uma semana depois da publicação do jornal, não só a cidade onde Peri residia mudou, mas também o mundo. Muitas pessoas começaram a investir em reciclagem. Muitos diminuíram o desmatamento e passaram a plantar sementes e mudas de planta, animais foram tratados e levados de volta para o seu hábitat. A poluição de fábricas e indústrias diminuiu, passaram a investir no biocombustível. Várias pessoas do mundo todo, passaram a andar de bicicletas e isso levou a uma diminuição da poluição por parte dos automóveis. No país, onde residia Peri, foram criadas equipes de monitoramento para fiscalizar e penalizar aqueles que jogassem lixo nas ruas. O mundo todo estava buscando amenizar e reverter a situação. As temperaturas foram ficando estáveis e com o tempo, via-se o verde tomar conta de algumas regiões no país.  Isso sim é progresso! – gritavam os ativistas. 

Peri foi considerado o responsável, não só por abrir os olhos da humanidade através de suas palavras, mas também por impulsioná-las a agir. O que encantou o mundo e ao mesmo tempo surpreendeu, foi que Peri era só uma criança. Mas com uma mentalidade de gente grande. Aquela mudança, em que todos puseram a mão na consciência e começaram a cuidar e tratar dos ferimentos feitos à natureza, ficou conhecido como "o Dia em que a Terra parou", que inclusive foi o título dado, por Peri, ao seu texto.

Autor: Ruan Vieira


Paróquia Santo Antônio


Lá no Morro do Urubu

foi onde tudo se iniciou

Em 18 de outubro de 1718

foi quando tudo começou.


Nesse Morro do Urubu tinham

muitos trabalhadores

Os índios da tribo “tupis”

foram os primeiros moradores.


E até hoje uma história é contada

de geração em geração

As pessoas iam a sua igreja

fazer sua oração,

Mas não encontravam o Santo

o Santo Antônio Fujão!


Nascido em Minas Gerais

ele veio pra cá,

Dom José Brandão de Castro

foi o primeiro bispo de Propriá.


E pra encerrar

Preservem esse Patrimônio

E vamos celebrar

os 300 anos da Paróquia Santo Antônio!


Ruan Vieira


(Esse poema foi escrito em homenagem aos 300 anos da Paróquia da cidade, em 2018.)

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Brasileiro


Brasileiro era pra ser mais índio do que europeu

Índio se importa com os membros da tribo

Europeus são egoístas

Brasileiro era pra ser índio

Mas brasileiro é egoísta.


Brasileiro idolatra o que é de fora

Não valoriza o que há aqui dentro

Brasileiro é “burro”,

Basta olhar quem está no poder

Brasileiro é “Maria vai com as outras”


Não pensa por si só

Precisa se espelhar em outro

E ainda se espelha errado

Brasileiro é “preguiçoso”

Brasileiro quer tudo fácil, tudo na mão


Mas não faz nada pra mudar sua situação

Brasileiro é esperto,

É escravo com liberdade

Mas não sabe pra onde ir

Mas é “esperto”.


Brasileiro é interesseiro

E quando vai votar

Faz troca com político

Diz que político não presta

Mas quem não presta é o brasileiro


Brasileiro mancha a própria imagem do país

Brasileiro gasta mais do que tem

E fica endividado

Se continuar assim vão anunciar na rádio

“Vende-se este Brasil”


Ruan Vieira

"Progresso Material"

Certas pessoas se deixam levar pelo poder financeiro e dedicam a sua vida em busca de mais dinheiro, pois veem o dinheiro como algo essencial para a vida. Assim era o João Filipino, um empresário respeitado e admirado pelos seus amigos e funcionários. João Filipino começou muito cedo a vida nos negócios, ele se jogou no mundo afora em busca de ter seu próprio negócio, ganhar seu próprio dinheiro e assim ser respeitado. João Filipino acreditava que se conseguia respeito através de seu status. A sociedade de sua época realmente dava ênfase aos vencedores. Pois na sociedade quem não trabalha e não tem dinheiro não é vencedor, é um perdedor. Mas João Filipino não queria ser visto pela sociedade como um perdedor, ele queria respeito, queria mostrar para as pessoas de sua cidade que ele também podia ostentar. João Filipino, influenciado pela sociedade, dedicou-se aos seus interesses e buscou montar seu próprio negócio. Aos poucos, ele foi se distanciando de casa. Sua esposa, Guilhermina, estava achando estranho as atitudes de seu marido. – Você só pensa em dinheiro, João! – dizia ela.

– Estou fazendo isso por nós! Acha que eu vou deixar as pessoas nos verem como um ninguém? – dizia ele.

– Então você tem vergonha de a gente ser visto como um ninguém? – perguntou Guilhermina.

– Sim! – disse João.

Guilhermina e Filipino tinham um filho, chamado Guilherme Filipino. O seu filho tinha dez anos e era mais próximo da mãe, já que seu pai mal ficava em casa. João Filipino pegou uns empréstimos e montou uma loja de sapatos. Ele também contratou algumas pessoas para lhe auxiliarem. Com o tempo seu negócio foi crescendo e gerando lucros. João foi mudando na medida em que seu negócio dava dinheiro. Ele via a sua esposa com outros olhos e dizia para o seu filho se espelhar nele. 

– Siga meu exemplo, Guilherme. Aprenda com seu pai e busque ter uma vida financeira boa. – Dizia ele. 

Guilherme o ouvia, mas não concordava com a visão de mundo de seu pai. Guilhermina estava sentindo falta de seu marido, de como ele era no início do casamento. Ela lembrava que ele não era tão arrogante e egoísta e não se importava com o que as pessoas iam dizer. Mas o dinheiro mudou João Filipino e ele sofreu uma transformação. Ele sempre dizia que era pela família, mas no fundo Guilhermina sabia que não era. Certa vez, ela foi ao trabalho do marido para vê-lo, ao chegar lá encontrou dois funcionários cochichando algo na hora do trabalho. Ela entrou na loja e perguntou onde estava seu marido. – Ele está lá dentro. – disse uma funcionária.

Guilhermina se dirigiu à sala onde estava seu marido e ao chegar perto da porta o ouviu falando no telefone: – “Que nada, primo. Já estou cansado dessa mulher, ela não trabalha e fica me criticando por que eu trabalho. Ela devia era me agradecer por colocar dinheiro em casa, comida na mesa. Até meu filho está do lado dela. Eu já falei pra ele qual o caminho, agora se ele vai me ouvir, não sei.”

Guilhermina ficou chateada e entrou. – Como é, João? Eu me preocupo com você e você me trata assim pelas minhas costas? – perguntou ela.

– Mas eu estou mentindo? Você trabalha? – perguntou ele.

– Eu já trabalhei, no momento estou sem trabalhar. Mas eu sou dona de casa e faço minhas tarefas em casa! Eu lavo, varro, cozinho pra você, auxilio nosso filho nos deveres da escola e você diz que não trabalho? Eu acho que você está se referindo ao fato de eu não estar pondo dinheiro em casa! Porque pra você tudo é dinheiro! – disse ela, num tom de euforia.

– Dinheiro é progresso! Você faz suas tarefas, é o mínimo que você pode fazer. Eu estou aqui trabalhando pra gente. Deveria me agradecer. Sem mim você não tinha chegado aqui. – disse ele.

Guilhermina ouviu essa última fala de João Filipino e disse: – Pois, então! A partir de hoje, você pode ficar com seu dinheiro, porque eu não quero seu dinheiro! Eu me casei com você, não com seu dinheiro! Eu quero um homem de verdade, não um moleque como você, seu arrogante egoísta! Eu só quero amor, mas isso pouco importa pra você! Eu só quero que você seja mais presente na vida de nosso filho e na minha.

João Filipino começou a rir e disse: – Meu bem, amor não põe comida na mesa. O mundo hoje é regido pelo dinheiro, eu vou fazer o quê? Eu vou buscar meu progresso e se você não quer participar, pode ir embora. Mas eu quero falar com meu filho antes!

Guilhermina começou a chorar e foi embora. Ao chegar em casa, ela arrumou algumas roupas e ia voltar pra casa da mãe. Seu filho, Guilherme, chegou da escola e encontrou sua mãe aos prantos. – O que foi, mãe? Foi o papai? – perguntou o pequeno garoto.

– Não foi nada, meu filho. Mamãe só está triste. Olha, vamos passar um tempo na casa de sua vó, tudo bem? – perguntou ela.

Guilherme era apegado à vó e disse com alegria que tudo estava bem. Ele correu para o quarto e arrumou sua mochila, pôs alguns brinquedos e roupas. João Filipino havia comprado um carro e ainda estava pagando algumas parcelas. Ele entrou no carro e foi pra casa. Ao chegar lá, encontrou com Guilhermina e seu filho saindo de casa. – Vai pra onde com nosso filho? – perguntou ele.

– Não interessa! – exclamou ela.

João Filipino pegou o filho pelo braço e disse: – Filipino! Você vai embora com ela? Pense bem! Ela não tem condições de te sustentar, eu tenho! Você não vai ganhar brinquedos novos, roupas novas. Você sabe que papai pode te dar tudo isso, não sabe? O que você me diz?

Guilherme olhou nos olhos do pai e disse: – Eu não quero o seu dinheiro e eu vou com a mamãe porque eu sei que ela pode me dar o que o senhor não pode.

João lhe perguntou: – O quê?

– Amor! – disse seu filho.

Guilhermina segurou na mão do filho e o levou embora. João Filipino ficou só. Às vezes, a solidão tem o poder de nos fazer repensar, fazer-nos refletir, mas o período de solidão do João não lhe fez repensar, mas se dedicar ainda mais ao seu crescimento na cidade. Ele queria mais, queria mais poder. Então resolveu montar uma outra loja, agora de roupas. João Filipino lançou sua marca no mercado. “JF, roupas e calçados”, ele havia pegado mais um empréstimo. O tempo foi passando, Guilhermina havia se separado de João e estava trabalhando como recepcionista num escritório de advocacia. Ela e seu filho haviam saído da casa de sua mãe e estavam morando numa casa alugada. João Filipino estava em alta na cidade, era um homem respeitado, não pelo o que era, mas pelo o que tinha. Ele estava de bem com vida. Porém, o poder às vezes nos faz ficar cegos e nos leva a cometer erros. João Filipino ficou endividado e não conseguiu pagar todo o dinheiro que havia pegado emprestado. Ele fechou uma das lojas e teve que vender seu carro. A cidade ficou sabendo de sua dívida e muito se falava sobre. A dívida de João ainda não havia sido totalmente paga, por conta do atraso. Porém, ele tinha até o final do dia para conseguir 5.000 reais e assim quitar sua dívida. As fofocas se espalharam e chegou ao conhecimento de sua ex-esposa. Ela havia trabalhado antes e tinha um bom dinheiro guardado. As horas passaram e João não havia conseguido o dinheiro. Ele estava desesperado, pois se não pagasse perderia a sua loja e assim ficaria sem nada. O dinheiro que ele tanto se dedicou para conseguir, por ironia do destino, estava o derrubando. A noite chegou e o prazo para o pagamento havia passado. João ligou para o gerente do banco e pediu mais um dia. O gerente lhe disse que ele não se preocupasse. – Por quê? – perguntou João.

– Porque sua dívida já foi paga. – disse o gerente do banco.

– Mas por quem? – perguntou João.

O gerente da loja lhe disse que não sabia. Mas que já estava tudo certo entre eles. João Filipino se sentiu aliviado. Ele continuou com a sua loja e com o mesmo pensamento voltado para o progresso material, também continuou cego e não se deu conta de que quem havia pagado sua dívida foi sua ex-esposa, Guilhermina.

Autor: Ruan Vieira

Quem falou em Democracia?


Pense num país pobre politicamente

Chega! tira fulano, bota sicrano

Mas o país não sai do canto!

O país não vai pra frente


Pense nuns “cidadões” pra reclamar

Dando murro em ponta de faca, querem ter respeito

Mas na hora de votar

Não sabem votar direito


E no período eleitoral

Pense como chove dinheiro

Parece até um Carnaval

Quem dera fosse assim o ano inteiro


É político comprando

É eleitor se vendendo

E o rico segue “enricando”

E o pobre, coitado, segue empobrecendo


E tem deles que até pensam:

“Fulano vai me ajudar”

Rapaz, deixe de ser besta! essas migalhas não compensam

Acorde que esse senhor só quer te usar!


O que sustenta esses “canalha”

É o pobre e o rico empresário

A própria lei é uma farsa e só falha

De desonesto tem até juiz, ministro, advogado,

Neste país, gente não falta pra te fazer de otário


Não se assuste! Mas sempre vai ter pobreza e miséria

Desigualdade, fome e desemprego

Parece brincadeira, mas a coisa é séria

Enquanto os governantes seguem enchendo seus botões

O pobre trabalhador segue tomando no rêgo!


Ruan Vieira

Sistemópolis

As pessoas estavam cegas, cada vez mais alienadas, viciadas em consumo, endividadas por influência midiática, por influência social, a mera busca por status subiu à cabeça dos habitantes de Sistemópolis. Raul estava cheio daquela cidade. 

– Eu preciso sair daqui! Senão, ficarei doente, como essas pessoas. – dizia ele.

Sistemópolis era uma cidade sistematizada, habitada por pessoas automatizadas. Elas copiavam umas as outras, na roupa, no modo de agir, de falar, nos comportamentos, hábitos e no modo de pensar. A inveja era uma das principais características dos habitantes de Sistemópolis. Certas pessoas se sentiam ameaçadas pelo o que o outro tinha, sentiam-se infelizes e perturbadas por também não terem. Era preciso darem um jeito para também terem, elas não conseguiam viver sua própria vida, tinham que viver a vida dos outros. O problema era que nunca chegavam a uma satisfação plena, pois eram por natureza insatisfeitas. A inveja os cegava, o desejo os cegava e elas se apertavam para se encaixar na cidade. Era muito comum as pessoas fazerem comparações. As pessoas eram inquietas e sempre arrumavam problemas. Raul era um dos habitantes de Sistemópolis, mas ele, ao contrário dos demais, só queria viver a vida dele em paz, longe de toda aquela bagunça. As pessoas eram influenciadas, não só entre elas, mas também pela mídia, pelo sistema estabelecido por elas mesmas. A mídia tinha um papel bem relevante em Sistemópolis, cooperava para a divisão de pessoas, para a segregação, vendiam falsas verdades, influenciavam as pessoas em certas ideologias, que muitas das vezes, eram prejudiciais ao convívio em sociedade. A mídia incitava as pessoas a comprar, ao consumo exacerbado, vendiam padrões de vida ilusórios e incitavam as pessoas a quererem se dedicar e buscar aquele padrão. Era comum, muitas pessoas mudarem de opiniões através da TV. Raul já estava de saco cheio, convivendo entre cópias. 

– Onde estão os originais? Os autênticos? – ele se perguntava. 

A sociedade estava uma bagunça, pessoas corriam de um lado para o outro, à procura de algo que as deixasse satisfeitas, felizes, empatadas, seguras. Era uma competição e, geralmente, competições não terminam bem, há sempre um vencedor e um perdedor. Mas os habitantes de Sistemópolis não queriam perder. Eles lutavam entre si, ninguém queria perder. O sistema implantado na sociedade era o de venda e compra. As pessoas compravam, outras vendiam. As que vendiam obtinham lucros e as que compravam obtinham felicidade. Porém, estas últimas nunca alcançavam a felicidade, nunca supriam os seus desejos. A mídia, sempre em mudança, fazia propagandas de produtos novos e as pessoas já haviam comprado o que queriam antes, mas ficavam desesperadas para comprar mais. Todos corriam feito loucos, para comprar, para trabalhar, para vender, para alcançar a felicidade, o poder, o status, a fama, a glória. Raul percebeu que as pessoas estavam ficando doentes. Muitos estavam adoecendo. Enquanto corriam para obter dinheiro, para saciarem seus desejos de compra. As pessoas estavam ficando doentes mentalmente, as dívidas só aumentavam, as disputas em família, entre amigos, em sociedade, só aumentavam. As pessoas estavam se separando cada vez mais. As que tinham um trabalho e dinheiro se afastavam das que não tinham. As que não tinham dinheiro e trabalho estavam se matando, das pessoas que tinham dinheiro e das que não tinham, algumas estavam endividadas. A cidade de Sistemópolis estava se destruindo internamente. Raul decidiu partir logo e arrumou suas malas. 

– Não sei onde eu tô indo, mas sei que eu tô no meu caminho. – ele dizia consigo mesmo. Raul pegou sua mala e saiu a andar pela rua. Um mendigo lhe perguntou: – Pra onde você vai?

– Eu vou embora daqui. Para mim, já deu! – disse ele.

– Mas vai embora pra onde? – questionou o mendigo.

– Eu vou sair por aí sem destino. – disse Raul.

– Mas não é seguro lá fora, amigo. – disse o mendigo.

– E aqui dentro é? Você vai mesmo preferir a segurança em uma gaiola padronizada a ser livre e se libertar das amarras que te põem? – perguntou Raul.

– Eu estou velho! Já não tenho mais tempo pra enfrentar novos desafios… Eu aprendi a me acostumar a essa sociedade. – disse o mendigo.

– Não é um bom sinal de saúde mental se acostumar a uma sociedade doente como esta, meu amigo! – exclamou Raul.

– Mas é meu destino viver aqui, viver assim, eu já estou conformado. – disse, melancolicamente, o mendigo.

Raul o olhou e disse: – Isso não é coisa do destino, homem. Destino é a gente quem faz! Sistemópolis te levou a isso, pôs você na sarjeta e você permitiu. Onde está a mão do destino aqui? Eu só vejo a mão dos homens operando e controlando as marionetes. Levanta daí que você não se conformou, você desistiu e desistir não é opção. Eu estou indo embora, quero sair dessa bagunça. Se quiser me acompanhar, a hora é agora.

O mendigo olhou nos olhos de Raul e estendeu a mão, Raul o levantou e o mendigo lhe disse: – Eu vou com você, se eu morrer, que eu morra lutando, em movimento e não desistindo, parado.

Raul seguiu em direção à saída de Sistemópolis e levou consigo muitos habitantes. A maioria que permaneceu dentro do sistema morreram, alguns por suas próprias mãos, outros pelas mãos de outros. Os que seguiram Raul continuaram vivos e determinados em recomeçar suas vidas em outro lugar. Fora de Sistemópolis, o mendigo chegou a um pensamento: “A vida é bem mais apreciável aqui fora, em movimento, na natureza, do que dentro de um quadrado, entre muros. A liberdade, muitas das vezes, encontra-se na mudança de um lugar para o outro.”

Autor: Ruan Vieira

El hilo rojo del destino (O fio vermelho do destino)

Hay una leyenda oriental que cuenta que las personas destinadas a conocerse tienen un hilo rojo atado en sus dedos que les une el uno al otr...