
Gilbert Fry, cientista de Galacticus,
em suas pesquisas, formulou uma teoria sobre a expansão e contração do
seu planeta. Segundo ele, o planeta sofreria uma expansão devido a um
crescimento populacional e devido a sua posição. Galacticus
era um planeta próximo a Via Láctea, era habitado por 5.000 habitantes e
estava localizado próximo ao Sol. Segundo o cientista, Galacticus
sofreria uma destruição, pois o Sol aumentaria o seu poder solar,
atraindo magneticamente o planeta mais próximo para seu interior e o
destruiria. Essa teoria sobre o Sol foi publicada anos atrás, no jornal
Universe. Cientistas da época estudaram as teorias de Gilbert e alguns
aceitaram a possibilidade de haver uma destruição e outros rejeitaram. Ginter, um jovem engenheiro aeroespacial, ouviu seu pai discutindo sobre a teoria de Fry e começou a criar interesse nas pesquisas e decidiu conversar com o cientista para saber mais sobre o suposto caos. Ginter
tentou entrar em contato com ele, mas não conseguiu. Então, resolveu ir
até a Universidade em que o cientista dava aula. Ao chegar lá,
encontrou o Sr. Gilbert sozinho na sala, sentado e lendo.
— Bom dia, senhor Fry. — Disse ele.
E o cientista respondeu: — Olá, jovem. Pode entrar!
Ginter entrou na sala e conversou com o professor. Eles discutiram ideias e Fry
gostou dos pensamentos do jovem engenheiro. A conversa fluía, quando
fora interrompida por uma jovem mulher, de aparentemente 20 anos.
— O senhor vai demorar? — Perguntou ela.
Fry respondeu: — Não, filha. Já estamos acabando.
— Tudo bem, eu espero lá fora. — Disse a filha de Gilbert.
Ginter a olhou. Fry a disse: — Ah... Conheça o Ginter, este rapaz acredita em minhas teorias e quer nos ajudar.
Ela questionou: — Ajudar? Como?
Ginter se pronunciou: — Bem...
Eu sou engenheiro aeroespacial e pretendo construir uma aeronave para
nos tirar daqui antes da destruição. Vai levar um tempo pra isso, então
preciso saber mais detalhes sobre quando e a que horas isso vai ocorrer.
Também preciso de mais gente que goste de física.
—
A minha filha é uma estudante de física e já está concluindo o curso.
Ela, assim como eu, tem aptidão para a física. Não é, Julia? — disse o cientista.
Ginter a perguntou: — Ah... Seu nome é Julia?
— Sim! - respondeu a moça.
A conversa entre o engenheiro e Fry havia acabado. Eles combinaram de se encontrar após as aulas do cientista, para pôr em prática o projeto da aeronave. Toda semana, de segunda a sexta, após as aulas do Sr. Fry, Ele, Ginter
e Julia se juntavam para discutir ideias e formular o projeto. A
aeronave teria que suportar um peso superior ao seu. O jovem engenheiro
estava planejando fazer duas viagens. A primeira com 3.000 habitantes e a
segunda com 2.000, porém, Fry
o lembrou do crescimento populacional e Julia sugeriu que fossem
construídas duas aeronaves, ambas partiriam com 2.500 habitantes. A
ideia da universitária foi a mais aceita e eles começaram a fase de
construção. Henry Felix, presidente de Galacticus, pai de Ginter, percebeu a ausência do filho em alguns dias da semana e o questionou: — Você tem saído muito, o que tem feito?
Ginter respondeu: — Sim. Tenho trabalhado em algumas ideias e estou as colocando em prática.
— Ideias? Hum... Isso é bom. Posso ajudar em alguma coisa? — perguntou o Sr. Felix.
Seu filho, então, disse: — Pode. Peço que informe as pessoas sobre o destino do nosso planeta e diga que Fry tinha razão em suas pesquisas, Galacticus está ameaçada.
Seu pai o olhou com um olhar de indiferença. — O senhor não acredita? — perguntou o rapaz.
Henry, então, respondeu: — Em quê? Num lunático como o Fry? Ele é um louco. Está ajudando a ele?
— Sim. Eu me voluntariei para construir uma aeronave para sairmos daqui. — disse Ginter.
Seu pai lhe disse: — Isso não tem lógica, meu filho.
O jovem ignorou a fala do pai e perguntou — O senhor vai me ajudar ou não?
O Sr. Felix se pôs a pensar por alguns segundos e exclamou: — Verei o que faço!
O
então presidente entrou em contato com o jornal local e pediu para que
avisasse a população que o planeta estava ameaçado, segundo o "físico
maluco" Gilbert Fry.
As teorias do velho cientista chegaram aos ouvidos da população, e
muitos zombaram e ridicularizaram o cientista. Outros, temeram a
possibilidade de ele estar certo. Certa vez, Julia e Ginter,
após os estudos e o trabalho, saíram juntos e conversaram sobre o
projeto e falaram sobre física. Porém, no decorrer da conversa, a moça
entrou em assuntos mais formais voltados para o dia a dia de ambos e sua
vida pessoal.
— O que você mais gosta de ouvir? — perguntou ela.
O rapaz respondeu: — Gosto de ouvir a natureza, o som dos pássaros, o barulho da chuva, do vento. E você? — perguntou ele.
— Eu também... Acalma. — disse Julia.
A conversa entre os dois durou por algumas horas e, logo anoiteceu. Ginter
se ofereceu para levá-la em casa e a moça aceitou. No caminho, ela
pegou na mão do rapaz e ambos olharam pro céu. Julia questionou se ele
tinha alguma companheira em sua vida. Ambos se olharam e Ginter apontou para o céu e disse: — O céu, quando não se está sozinho, fica mais bonito. A jovem sorriu.
— E se o nosso planeta for destruído? Sumir? Será que nós conseguiremos sobreviver em outro lugar? — perguntou ela, pensativa.
Ginter a olhou e disse: — Acredito que sim. Temos que pensar com otimismo.
A senhorita Fry,
segurando a mão do rapaz, aproximou-se e o beijou. Voltando pra casa e
olhando para as estrelas, eles fizeram uma promessa. Os dias se
passaram, uma das aeronaves já estava pronta. Gilbert Fry,
estava em casa e teve uma visão. Ele viu seu planeta sendo destruído
pelo Sol e a população era dizimada, sua filha, seus alunos, Ginter, todos mortos. Isso o deixou assustado.
Julia
havia saído e quando voltou, encontrou o pai paralisado. Tentou
acalmá-lo e o velho adormeceu. Ao acordar, ele contou a filha sobre a
visão que teve. Ela o pediu para descansar mais e evitar preocupações e
completou: — Eu e Ginter faremos o possível para tirar todos daqui sãos e salvos!
Ginter
estava em casa sentado e se levantou para ligar a TV. Ao se levantar,
sentiu uns tremores sob seus pés. Julia e seu pai também sentiram. As
pessoas saíram de suas casas, assustadas. O jovem engenheiro procurou
mudanças em seu planeta através de um aparelho de captação magnética,
que captava ameaças, pontos positivos e negativos. O dispositivo mostrou
que Galacticus estava subindo para a área vermelha. O rapaz, apressadamente, ligou para o professor Fry e o alertou. O cientista entrou em pânico e passou mal, e sua filha o socorreu. Galacticus, realmente, estava ameaçada e dentre algumas horas entraria na área de risco, ficando mais vulnerável ao magnetismo do Sol. Ginter
se preocupou, pois só havia construído uma aeronave. Ele, então,
aproveitou o momento e conferiu se houve algum crescimento populacional e
se surpreendeu, pois a população havia aumentado de 5.000 habitantes
para 5.589. Julia tentou acalmar seu pai e ligou para Ginter.
As pessoas foram avisadas sobre o que poderia ocorrer dentre algumas
horas e todas ficaram preocupadas. Algumas até perderam a cabeça e
começaram a gritar: — Vamos todos morrer! O planeta vai ser destruído!
Maldito planeta!
Agentes locais chegaram e tentaram acalmar a todos. Ginter se encontrou com Julia e Fry
e eles foram até o lugar onde estava a aeronave. O rapaz disse ao
cientista: — A nave está pronta. Porém, ainda não fizemos os testes.
— Agora não há mais tempo, filho! — disse Fry, dirigindo-se à nave.
Eles entraram na aeronave e pousaram próximo ao lugar onde as pessoas estavam. Ao pousarem, Fry desceu e pronunciou:
— Queria eu que esse dia não chegasse, que esse pesadelo não acontecesse. Porém, aqui estamos e o que nos resta é ter esperança.
Todos estavam ouvindo. Alguns começaram a falar: — Mas somos muitos, essa nave não dá pra levar todos!
— Eu não quero morrer, vamos ter que decidir quem fica e quem vai!
Ginter interrompeu o início do alvoroço, dizendo: —
Ninguém vai morrer, não hoje. Faremos duas viagens. A prioridade na
ordem é das crianças, idosos e gestantes. Posteriormente alguns homens e
mulheres mais jovens. Depois buscaremos os homens e as mulheres que
restarem.
Uma pessoa gritou: — Isso não é justo! Esses idosos já estão próximos da morte! Eles deveriam ficar!
Julia olhou para ela e disse: — Já está decidido. Você não tem noção? Deixar os idosos? Nós os levaremos primeiro!
Uma multidão correu em direção a aeronave e os agentes de Galacticus
tentaram impedir. Uma luta começou, enquanto alguns aguardavam sua vez,
outros se desesperavam e tentavam lutar por um lugar na primeira
viagem. Pessoas gritaram: —
Quem nos garante que vai ser possível duas viagens? Quem nos garante
que sairemos daqui vivos? E se morrermos antes da nave partir?
Ginter gritou: —
Calma, pessoal. Tenhamos um pouco de otimismo. Farei o possível para
tirar todos nós daqui. Agora não é hora para brigas, temos que se unir.
Vamos!
Os
idosos, as crianças e as gestantes entraram. Depois subiram alguns
homens e mulheres adultos. 2.500 habitantes entraram na nave. Fry
olhou para o céu e percebeu que ele já não estava mais totalmente azul,
estava ficando escuro, sombrio. Julia pôs a mão em seu ombro e eles
entraram. A aeronave partiu. O aparelho que captava ondas magnéticas
apitou. Ginter se assustou e viu na tela do dispositivo que Galacticus
estava na área de risco. Ele ficou preocupado, mas tentou manter a
cabeça no lugar. A viagem durou 30 min. Quando a aeronave adentrou na
Via Láctea, houve uma pequena turbulência antes de pousar, mas a
primeira viagem deu certo. As pessoas desceram. A Via Láctea tinha muita
água, montanhas, pedras e alguns animais pequenos e árvores enormes. Ginter disse para Julia e Fry
ficarem, pois ele voltaria sozinho para buscar os outros. Porém, a moça
não aceitou e pediu para seu pai ficar e disse que também iria com o
namorado. Fry desceu e a aeronave partiu. Ginter questionou a Julia: — Por que veio?
— Porque eu não podia deixar você sozinho. — disse Julia, olhando nos olhos do rapaz.
— Mas está arriscando a sua vida. — disse ele.
— Você também está! — exclamou Julia.
Após alguns minutos, a aeronave começou a esquentar e eles perceberam que estavam próximos a Galacticus. O Sol já estava atraindo o planeta para si. Ginter
e Julia conseguiram pousar. As pessoas correram em direção a nave.
Todas desesperadas, o céu estava ficando vermelho, o chão estava se
desestruturando. Ginter apressou as pessoas: — Corram! Venham!
Uma
multidão entrou na nave. A aeronave deu sinal vermelho. Estava cheia, a
temperatura estava cada vez mais quente. O jovem engenheiro olhou para
Julia e ela segurou sua mão. Galacticus estava sendo destruída. Ginter
tentou subir, mas a aeronave não estava obedecendo. O magnetismo do Sol
estava atraindo tudo ao seu redor para ele. O rapaz se desesperou. A
nave estava em alerta vermelho e as pessoas começaram a se desesperar.
Julia pediu calma. Ginter
pôs mais força, persistiu e conseguiu se afastar. A aeronave subiu. Na
viagem de volta para a Via Láctea, as pessoas se acalmaram e muitos
lamentaram o terrível acontecimento com o seu planeta. Galacticus havia sido destruída. Um passageiro comentou: — As teorias de Fry estavam certas no fim...
Na Via Láctea, Fry
e o Presidente Henry Felix estavam preocupados com seus filhos e temiam
o fato de a segunda viagem não ter dado certo. As pessoas ainda estavam
assustadas. De repente, um barulho... Uma criança apontou para o céu e
gritou: —
São eles! Olha!
A aeronave pousou e as pessoas desceram. Maridos e
mulheres se abraçaram, mães e pais abraçaram seus filhos. Julia e Ginter desceram juntos. Todos estavam a salvo. O cientista Gilbert Fry foi aplaudido por todos e ele se pronunciou: —
Não mereço aplausos. Não chegaríamos aqui se não fosse pelo meu genro e
pela minha filha. Eles foram os responsáveis da nossa vinda. Por favor,
aplausos para eles.
Todos aplaudiram. O Presidente Henry Felix se
pronunciou: — Agora esta
é nossa nova casa. Temos muito o que fazer aqui. Vamos manter nossa
civilização e juntos construir um planeta melhor.
Alguns anos depois, o
velho cientista lançou um livro, intitulado "A Viagem".
Neste livro, ele relatava as suas pesquisas, sua visão e os momentos de
apreensão e desespero antes e durante a viagem. Julia se casou com Ginter
e se tornou uma cientista, assim como o pai, ela também passou a dar
aulas de Física. Seu marido montou uma empresa de aeronaves e passou a
dar aulas de Engenharia aeroespacial. Certo dia, numa noite estrelada,
ao olhar para o céu, eles lembraram da promessa que fizeram há anos em Galacticus... "Jamais deixar um ao outro, não importa o que aconteça. Se sobrevivermos a isso tudo, nós casaremos."
Autor: Ruan Vieira